Mostrando postagens com marcador Revista Ultimato. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Revista Ultimato. Mostrar todas as postagens
Solidão
15 de Julho/Quinta Feira

Eu sou solidão,
sou tristeza, sou desamparo,
sou realidade nua e crua,
sou menino de rua.

Minha mãe morreu de parto,
meu pai nem conheci.
O dotô me jogou na rua,
fui criado por um gari.

Eu sou solidão,
sou pobreza,
sou realidade nua e crua,
sou menino de rua.

Meu “pai”, o gari, me deixou
com meu cachorro e meu irmão,
ele me deixou neste mundão
porque morreu...
debaixo de um caminhão.

Eu sou solidão,
sou desamparo,
sou realidade nua e crua,
sou menino de rua.

Fui levando a vida
com meu irmão,
que agora não tenho mais.

Ele apanhou de um P.M.
e eu levei ele pr’um hospital,
mas não deu tempo...
É a falta de atendimento.

Eu sou solidão,
sou desacato,
sou realidade nua e crua,
sou menino de rua.

Eu tinha um cachorro,
mas agora não tenho não.
O melhor amigo do homem
foi morto por um sem-coração.

Eu sou solidão,
sou sujo,
sou realidade nua e crua,
sou menino de rua.

Na verdade eu num sei
porque tô te falando isso, sinhô.
Melhor eu ir embora:
cê num deve de tá agüentando meu fedô.

Eu sou solidão,
sou indesejado,
sou realidade nua e crua,
sou menino de rua.

Maicon Steuernagel, 13 anos, luterano, reside em Curitiba e é filho de Sileda e Valdir Steuernagel.

Fonte: Revista Ultimato


Faça um blogueiro feliz comente Related Posts with Thumbnails
Da raça infame para a raça eleita
11 de Junho/Sexta Feira

A que raça você pertence ? Deixe de lado a classificação original de raça branca (europeus), raça negra (africanos) e raça amarela (asiáticos). Esqueça também a classificação mais ampla, que inclui as raças africana, ameríndia, asiática, australiana, européia, indiana, melanésia, micronésia e polinésia. O caso agora é outro. Muito mais sério. Muito mais solene. O que interessa é o grupo a que você pertence sob a perspectiva do relacionamento com Deus.

Se você se der ao trabalho de localizar a palavra raça nas Escrituras Sagradas, você encontrará as expressões: raça infame (Jó 30.8), raça malvada (Jr 8.3) e “raça de víboras” (Mt 3.7, 12.34 e 23.33). Esta última foi usada por João Batista e por Jesus, sempre dirigida às pessoas fingidas.

Mas há outra “raça” mencionada na Bíblia, bem mais amena. Chama-se raça eleita e aparece numa das Cartas de Pedro: “Vós sois raça eleita” (1 Pe 2.9). A raça eleita é aquela que congrega os egressos da raça infame, da raça malvada e da raça de víboras. Eles formam o “povo de propriedade exclusiva de Deus” e têm o compromisso específico de proclamar as virtudes de Jesus Cristo, que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz!

Fonte: http://www.ultimato.com.br


Faça um blogueiro feliz comente Related Posts with Thumbnails
O casamento da religião com o cifrão
06 de Junho/Domingo

Cresce cada vez mais o casamento da religião com a prosperidade. O ter continua atraindo mais que o ser. O fim principal do homem não é glorificar a Deus nem gozá-lo para sempre, como queriam os teólogos da Assembléia de Westminster na metade do século XVII. O fim principal do homem é a segurança financeira, são os bens de consumo, é o conforto proporcionado pela máquina, é a beleza do corpo, a beleza da roupa, a beleza das jóias, a beleza da casa, a beleza do carro. O que se valoriza é a criatura e não o Criador, a saúde do corpo e não a saúde da alma, o tempo presente e não a eternidade.

A religião está em alta. A explicação dada pela escritora Walnice Nogueira Galvão, professora aposentada de Teoria Literária da USP, é que “o mundo está ficando tão insatisfeito que as pessoas estão se voltando para a religião”. Não importa qual a religião. Pode ser o cristianismo, pode ser o esoterismo, pode ser a mistura do cristianismo com o esoterismo (aí está Paulo Coelho). Não há pureza doutrinária. Não há necessariamente mudança de caráter, mudança de vida. Em muitos casos a religião não tem provocado arrependimento, não tem provocado conversão, não tem provocado renúncia, não tem provocado desprendimento, não tem provocado humildade.

Parece que algumas mulheres convertidas ao rebanho evangélico continuam sexy, como a cantora Gretchen e a modelo Monique Evans. É o que diz a Folha de São Paulo (12/4/98). Parece que algumas mulheres convertidas à Renovação Carismática Católica continuam fúteis, como a socialite Gisella Amaral, que tem mais de cinqüenta tercinhos para combinar com a roupa. É o que ela mesma diz. A elite carismática usa colar de pérola e ouro de 1.344 reais, terço de pérola e ouro de 672 reais, medalha de 600 reais e anéis de ouro de 345 reais. Todas as jóias têm a imagem de Nossa Senhora Milagrosa (Veja, 8/4/98).

Boa parte do movimento neopentecostal, tanto protestante como católico, está comprometido com a chamada Teologia da Prosperidade, o oposto da Teologia da Libertação. O casamento da religião com a prosperidade é sólido, mais consolidado que muitos matrimônios entre homem e mulher. Não há sinais de ruptura à vista. A fé religiosa é considerada um trampolim para a obtenção e manutenção da qualidade de vida. Zilda Couto, esposa do dono da construtora Emig, testemunha: “Há um ano, muitos dos meus imóveis estavam desalugados. Orei para que a situação melhorasse e foi incrível: dois meses depois, eles estavam todos ocupados”. As bênçãos recebidas por meio da oração são quase sempre ligadas à prosperidade. Como, por exemplo, no caso de Cristina Simonsen e Cristina Cabrera, ambas vítimas de ladrões milagrosamente salvas, a primeira de perder um relógio avaliado em 30.000 dólares, e a segunda de perder suas jóias.

O Jesus atual parece proteger a riqueza dos ricos e o Jesus dos velhos tempos mandava ajuntar tesouros no céu, “onde os ladrões não arrombam nem furtam” (Mt 6.19). O Jesus de hoje parece encorajar a riqueza e o Jesus de ontem explicava que “mais bem-aventurado é dar do que receber” (At 20.35). O Jesus deste final de século parece não esvaziar os bens de ninguém e o Jesus do Evangelho encorajava o esvaziamento das riquezas, em benefício da própria pessoa, em benefício alheio e em benefício do reino de Deus (Lc 18.18-30, 19.1-10).

No casamento da religião com o cifrão há coisas muito esquisitas. Hoje, o perigo é Jesus nos causar um desapontamento, como se pode ver nestas palavras de Ângela Guerra, esposa do ex-ministro Alceni Guerra: “Não peço as coisas a Jesus para amanhã. É para hoje. Oro e peço que Ele não me desaponte”. Ontem, o perigo era nós desapontarmos a Jesus.

O lado mau desse novo despertar religioso é que os novos crentes não conseguem enxergar o valor das riquezas acumuladas no céu. São como aquele homem muito rico que procurou Jesus e depois desistiu dele (Lc 18.18-23).

Fonte: http://www.ultimato.com.br


Faça um blogueiro feliz comente Related Posts with Thumbnails
Recado aos meus jovens filhos
02 de Junho/Quarta Feira

Às vezes me pergunto se consigo mesmo entendê-los. E se eles me entendem. Refiro-me aos meus filhos. De vez em quando ainda os tenho ao redor da mesa do almoço, do jantar. Mais raramente até no café da manhã, num sábado mais preguiçoso... Nesses momentos, quando a gente se descontrai e ri e pára por uns sagrados minutos de cobrar e aferir um ao outro, tenho a sensação gostosa de que a gente se entende e que a comunhão é uma das utopias possíveis no seio da família. Mas só por alguns minutos... Logo a culpa das expectativas não cumpridas deles sobre mim como pai, minha sobre eles como filhos, profana a santidade daquele momento que nos escapa.

Meus filhos estão saindo da adolescência e entrando na idade adulta. O mais velho caminha para 21 anos de idade, a caçula já beira os 17 e ainda tem duas outras entre estes extremos tão próximos. Gosto de conversar com eles, gosto de tentar entendê-los. Gosto também de me sentir respeitado e amado por eles, o que acontece uma boa parte das vezes! Sinto-me gratificado quando percebo que eles aceitaram um conselho meu, ou quando levam a sério as coisas que considero sérias e importantes.

Mesmo quando não consigo o tempo ou o espaço ou o melhor espírito para uma boa conversa, penso bastante neles. Sobre cada um: como está lidando com a vida, como está "toreando" suas emoções, como está controlando os seus hormônios, como está equacionando suas questões importantes em um mundo que se torna cada dia mais complexo e em muitos sentidos cruel... Preocupo-me por eles! Como, provavelmente, a maioria dos pais.

Por conta disso, desse amor entranhado, dessa paixão tecida nos lugares mais inacessíveis da alma, tenho pensado em coisas boas para lhes dizer. Coisas que a gente vem colecionando nessas quase duas décadas de relacionamento a seis; segredos de pais para filhos. Coisas que agora reparto neste improvisado recado:

O que a gente é vale mais do que o que a gente tem.
Às vezes, vocês sabem bem, eu me arrependo de ter escolhido o ministério — este de seguir a Deus como pastor ou no serviço da poesia e da adoração através da música. Às vezes me pego reclamando, dizendo que gostaria de poder ter mais, poder dar mais a vocês, supri-los mais adequadamente, proporcionar uma viagem extra, uma roupa mais bonita, um sapato mais "chique". Às vezes reclamo em voz alta e não tem como não perceber (que bom que vocês me conhecem — é um alívio poder ser eu mesmo). Mas estes meus reclamos não conseguem matar a lucidez que vem do Espírito de Deus — na sua luz nós vemos a luz! E, nos meus momentos de lucidez, me curvo diante do Pai e lhe digo que Ele fez bem em aceitar os meus votos de ministério ("não me dê a riqueza, nem a pobreza, dá-me o pão que me for necessário...", votos que eu "roubei" do sábio Salomão). Digo a Ele que Ele tem feito bem à minha alma e que nos meus melhores momentos eu chego a cantar de tanta alegria. Digo a Ele que apesar do "modismo" da teologia da prosperidade e do "servo" de Deus que é sempre bem sucedido, inclusive financeiramente, eu estou satisfeito e aprendi a viver contente na abundância bem como na escassez. Digo a Ele que Ele mesmo é a minha porção, que Ele é o meu bem maior, o Amado de minha alma e o Senhor da minha vida. Digo a Ele que vocês — minha mulher e meus filhos, minha família — são o meu tesouro mais precioso nesta vida e que, graças ao cuidado dele, — inclusive em não nos dar tudo o que pedimos — temos aprendido a respeitar os outros, a amar e ver com bons olhos os menos privilegiados e a aprender os pirimeiros passos da dependência e da fé genuína — não esta que está na moda, que exige de Deus aquilo que se quer, mas a da Bíblia, que ferece a Deus aquilo que se tem! Acho que vocês já aprenderam a lição número 1 — valemos pelo que somos. Vocês são maravilhosos e preciosos!

Amar de verdade 'tá cada dia mais difícil.
Jesus já havia alertado aos discípulos, quase 2.000 anos atrás, mas vale relembrar: "... e por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará!" Vivemos dias maus. As pessoas amam mais a si nesmas do que a Deus. As pessoas amam mais aos prazeres do que a Deus. Muitos amam a Deus da boca pra fora, mas o coração está longe dele. Vivemos dias de muita apostasia. Apostasia é a negação da fé. Às vezes ela é aberta e descarada e fica fácil de perceber. Outras vezes, e sei que vocês já têm percebido isso, ela é encoberta e dissimulada — tem aparência de piedade, fala coisas bonitas, freqüenta a igreja e faz oração, mas é apostasia mesmo assim. Só que é difícil de perceber. Iniqüidade e amor não conseguem formar um bom par. A Iniqüidade entra por uma porta, o amor sai pela outra. Mas quando isso acontece no meio da família da fé, a tendência é a gente ficar magoado, ressentido. Aos pouquinhos a gente vai se tornando cínico — não acredita mais nas pessoas, tem dificuldade de perdoar, de dar uma segunda chance. O amor esfria. Vigiem e orem, façam jejum e lutem com Deus, mas não deixem isso acontecer com vocês: "De tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, pois dele procedem as fontes da vida!" Como Satanás vem sempre para roubar, matar e destruir, sua mira predileta á o nosso coração. Cuidem do seu coração. Peçam sempre a Deus discernimento para perceber o mal e afastar-se dele. "Sejam inocentes para o mal, excelentes na prática do bem e o Deus da paz em breve esmagará Satanás debaixo dos pés de vocês."

Corpo e alma são duas faces da mesma moeda.
Sei que isso parece "chover no molhado" ou preocupação excessiva de pai (e mãe, porque neste ponto sou o porta-voz dela...). Vivemos hoje um novo surto de neoplatonismo. (Sei que vocês ainda não conhecem nem têm muito interesse por Platão, mas um dia terão. É tudo uma questão de tempo!) Para os neoplatonistas, o espírito (ou alma) era bom e tudo que a ele se referisse. O corpo (ou matéria) era mau. Isso gerava uma de duas atitudes: o "ascetismo", que submetia o corpo a toda disciplina para que seus impulsos maus não atrapalhassem a jornada da alma a caminho de Deus; ou o "hedonismo", que liberava o corpo para fazer o que bem quisesse e deleitar-se nos prazeres da "carne" — afinal o corpo não prestava mesmo para nada. Hoje, acreditem se quiserem, ainda vivemos este mesmo conflito. Até no meio das igrejas. O ascetismo toma a forma de um farisaísmo exagerado, cheio de regras — faça isso, não faça aquilo, não toque nisso, não, não, não — é a religião das regras e dos nãos. Raramente alguém lhe diz uma coisa positiva e boa que você deve fazer! O hedonismo certamente, hoje em dia, especialmente nos ambientes que vocês frequentam é mais comum — está cheio de meninos nas nossas melhores igrejas que vivem um relacionamento sexual de total intimidade com a namorada da vez (e vice-versa), e que dirigem o louvor; estão "numa 'nice'” com Deus.

O evangelho não faz esta separação acentudada entre corpo e alma. Seguindo a tradição hebraica, o homem é percebido como "alma vivente" ou "corpo habitado por uma alma". O que faço com o meu corpo afeta a minha alma e o meu psiquismo (alma em grego é "psique"). A relação de minha alma com Deus não se dá apenas em nível espiritual — ela ganha concretude, ela se manifesta no meu culto racional, no qual ofereço o meu corpo ao serviço de Deus, um sacrifício que Ele considera aceitável, que Ele recebe com alegria. Por conta disso, evitem os dois extremos — não adianta tentar matar o corpo, sonegar seus clamores, ou se esforçar para "fugir das paixões" por meio de regras ou rigorosa disciplina ascética. Primeiro porque é inútil. Segundo porque é presunçoso. Terceiro porque é tarefa impossível sem a graça de Deus. Não adianta também entregar o corpo ao diabo (na esperança de que a alma acabe ficando com Deus, por exclusão) — neste caso fica "pior a emenda do que o soneto". Sigam a tradição hebraico-cristã-evangélica: corpo e alma ao serviço de Deus; corpo e alma ao serviço do próximo; corpo e alma no culto e na comunhão da igreja; corpo e alma na relação conjugal. Cama e alma, em algum lugar devem ter a mesma raiz. Assim, sendo o mais claro possível: deixem para ir para a cama com aquele que for o seu companheiro de alma, no caso das meninas, e companheira de alma, no caso dos meninos, um relacionamento aceito publicamamente diante dos homens, confirmado humildemente diante do altar de Deus. Sei que vocês já tem ouvido bastante esta lição 3. Mas... "quem tem ouvidos para ouvir, ouça!" E que Deus os abençoe.

Beijão do pai.

Autor: Guilherme Kerr Neto é músico e pastor


Fonte: http://www.ultimato.com.br


Faça um blogueiro feliz comente Related Posts with Thumbnails
A Palavra Com Arte
24 de Maio/Segunda Feira

Eu buscava nos outros uma segurança impossível de achar, pois só a encontraria em Deus. Foi preciso muita luta, muito caminho entre medo, lágrima e solidão, até encontrá-la. Mas foi justamente na fraqueza que me tornei forte! Inútil procurar segurança fora de Deus. É em Deus, e dentro de nós que ela se esconde. Um dia eu a descobri em pedaços de mim, arrancados de minha melhor parte. A partir daí tudo começou a mudar. Embora sentisse falta de certas presenças caras, estava fortalecida. Em lugar de buscar paixão e devoção, passei a procurar contato nos pontos afins, entre mim e outras pessoas; ou dádiva, naqueles aspectos nos quais elas eram fortes e eu fraca — e vice-versa. Dessa maneira descobri uma forma maravilhosa de enriquecer-me e enriquecer outros.

Hoje só acredito em ligações reais, conquistadas mediante contatos verdadeiros, não imaginários; não fruto de fugaz delírio e emoção. Desisti da paixão que cega, do amor pelo amor, da amizade pela amizade. Passei a acreditar ser difícil amar alguém pelo fator atração simplesmente; as afeições precisavam ter um mínimo de troca: talvez a fraqueza pela força, a tristeza pela alegria, a abulia e a indiferença pelo interesse e o entusiasmo; a frouxidão e a lassidão pela esperança e o vigor. Com a troca eu me enriqueceria; e enriqueceria outros. Ao dar eu me abasteceria, generosamente! As janelas do céu se abririam para mim, como está prometido em Malaquias.

Pobres dos que vivem uma existência encaramujada, fechada, entregue a si mesma, sem osmose, sem presente, sem amor, sem crescimento! Vão morrendo em lenta apatia, pobreza e solidão.

Vida é encontro; é descoberta; é comunhão! Comunhão descosida, dadivosa, solta, exuberante!

Dedicado à minha filha Susana

Autor: Allinges Mafra é autora do livro "Vida e poesia em Davi e Jó", entre outros


Fonte: http://www.ultimato.com.br Related Posts with Thumbnails
O Ponto Alto do Machismo
15 de Maio/Sábado

Plenitude do machismo:

As mulheres se queixavam muito quando eram cozinheiras, lavadeiras e faxineiras. Quando eram esposas prestativas e mães solícitas. Quando eram objetos sexuais de seus maridos, dóceis e bonitinhas. Quando não podiam trabalhar fora de casa e muito menos ingressar numa universidade. Quando não podiam beber, não podiam fumar, não podiam dirigir carro, não podiam votar, não podiam cometer infidelidade conjugal, embora seus esposos tivessem todos esses "direitos". Quando apanhavam do marido e não contavam a ninguém, nem ao próprio pai.

Hoje a situação é outra em quase todos os países do mundo. E tende a melhorar.

Mas a plenitude do machismo é muito anterior à civilização da mulher do lar. O auge do machismo aconteceu no ano 483 antes de Cristo, quando um conselho de Estado, sob a presidência do todo-poderoso Xerxes I, promulgou a lei mais machista da história. Como se tratava de um império enorme, que começava nas proximidades da índia e terminava onde hoje se encontra o Sudão, na África, o decreto alcançava quase toda a população feminina do mundo de então. Como não havia ainda correio eletrônico, fax, televisão, rádio, telefone, telégrafo nem mala-direta, o texto da lei foi traduzido para todas as línguas do vasto Império, na escrita de cada uma delas, e enviado para as mais longínquas regiões da Ásia Meridional e da África Ocidental, por meio de funcionários públicos que faziam o serviço dos atuais correios.

O decreto era curto e enfático: "Que todo marido fosse chefe da sua casa e que tivesse sempre a última palavra" (Et 1.22, em A Bíblia na Linguagem de Hoje). A lei oficializou o machismo.

Curiosamente, o que provocou o decreto ou a plenitude do machismo foi uma briga conjugal. O vaidoso Xerxes I, também conhecido como Assuero, em meio a uma bebedeira, mandou buscar a mulher para mostrar a beleza dela aos nobres e ao povo que participavam de um banquete por ele oferecido. A rainha simplesmente recusou a comparecer. A ausência de sobriedade do marido e dos comensais e a possível intenção de Assuero de exibir o corpo da mulher, justificaram a atitude de Vasti. Antes que o comportamento da rainha empobrecesse a autoridade de todos os maridos do Império Medo-persa, Xerxes I e seus mais chegados conselheiros, todos homens, acharam por bem amedrontar as mulheres e assegurar o machismo, contemplando-o com a lei do domínio absoluto do homem sobre o chamado sexo frágil. Naquela mesma tarde, a rainha perdeu a coroa e o marido. Mas não perdeu a dignidade. Related Posts with Thumbnails
Lembranças de Uma Tarde na Cachoeira
26 de Dezembro/Sabado

Lembranças saudáveis da adolescência e juventude

Lembro-me não da data, mas do acontecimento. Eu era um adolescente e estava aborrecido com tanta briga verbal que havia ao meu redor. Eu também participava delas, justificando-me, defendendo-me e desejando impor minha vontade e meu raciocínio. Cansado disso tudo, resolvi não brigar nem discutir com pessoa alguma nunca mais. A decisão deu certo, funcionou. Creio que foi a única mudança sem retorno na minha vida. Ela mudou o meu temperamento. Detesto brigar e acho que não brigo com ninguém.

A certa altura da minha mocidade, comecei a trabalhar com adolescentes, sem nomeação oficial e sem qualquer preparo prévio. Não me recordo se recebi algum estímulo de alguém. Durou pouco tempo, mas me lembro de duas coisas. Organizei o grupo de adolescente 4 f’s — franco, forte, firme e fiel (roubei a ideia de um tio que morava em Curitiba). Organizei também um “banco” para emprestar dinheiro aos pobres meninos…

A lembrança mais saudável é a da minha experiência com Deus, que aconteceu em 1949, exatamente há 60 anos. Eu fazia o Tiro de Guerra em Bom Jesus do Itabapoana, RJ. Tinha 19 anos, já havia professado a fé em Jesus Cristo e já era candidato oficial ao ministério pelo Presbitério de Campos. Por força da bem-aventurada educação recebida no lar e na Escola Dominical, eu estava suficientemente esclarecido e convicto de que não deveria ter relacionamento sexual com prostituta (não havia amor livre na ocasião), com namorada ou com qualquer outra mulher, a não ser com a futura esposa, sob a proteção do matrimônio. Mas, a vontade contrária era enorme e constante. Morria de medo de não respeitar essa norma por muito tempo.

Então, certo dia, de manhã cedo, coloquei numa sacola minha Bíblia, meu hinário e um livro devocional (acho que era o devocionário "Ouro, Incenso e Mirra", de Rosalee Appleby) e fui para um lugar muito bonito fora da cidade, onde havia uma pequena cachoeira. Ali fiquei sozinho o dia inteiro, lendo passagens da Bíblia e orando. Estava em busca de uma certeza de que eu conseguiria o meu intento. Só me senti aliviado e fortalecido no final daquele dia, quando lia o Salmo 23 e Deus me convenceu de que ele, por ser o meu pastor, me protegeria de qualquer desobediência, a cada dia, e não de uma vez por todas, como que por atacado. Embora não seja dado a emocionalismo, chorei de emoção naquela tarde. Foi uma experiência real e marcante, que me ensinou a depender de Deus, e não dos meus esforços pessoais, para vencer qualquer tentação ou dificuldade. Até hoje aquela experiência à margem do rio Itabapoana é extremamente válida.

Autor: Elben M. Lenz César


Fonte: Revista Ultimato Related Posts with Thumbnails
Madonna está com Jesus, o outro!
30 de Novembro/Segunda Feira

"Madonna, a rainha do pop, conheceu Jesus enquanto realizava sua turnê aqui no Brasil. Madonna está apaixonada por Jesus." Frases como essa têm chamado minha atenção. A pop star Madonna (50 anos) está tendo um caso (o que os famosos chamam de "affair") com o modelo Jesus (22 anos). E a imprensa - que não perde tempo pra nada, não é verdade? - descobriu que o rapaz tem origem evangélica! A origem cristã do rapaz, seu nome e caso com a estrela do pop dão pra blogar alguma coisa interessante.

Religiosa (mas quem não é?), simpatizante da Cabala, polêmica, ativista, sensual, cinqüentona (a nova ortografia retirou o trema, mas eu não!)... Surpreendente! Há quem diga que estar perto de gente assim é o segredo do sucesso! O rapaz segurou essa grande oportunidade: muito mais que amigo, tornou-se (o mais novo) namorado da musa. "Rapaz de sorte!" - diriam aqueles que querem porque querem virar uma celebridade.

E que "sorte"! O modelo Jesus está "abusando" da teoria dos 15 minutos, de que cada um de nós terá a oportunidade de ter seus 15 minutos de fama/reconhecimento. Sua mãe é evangélica... Ah! Você sabe, né? Filho de peixe, peixinho é. Mas, filho de crente... Nem sempre crentinho é! Não torço pelo fim do namoro pop. Mas, fico a pensar no coração humano (mesmo sem ser cardiologista). Coração que bate por afeto, atenção, carinho... Para contrariar os "românticos", discordo que o verbo amar se refere a um sentimento. Não! Pra mim, amar é mais que isso: é um comportamento.

Fico a pensar nesses relacionamentos (se é que os posso chamá-los de re-la-ci-o-na-men-tos) que são frutos de um sentimento e nada mais. Creio que há uma compreensão errada do que é amar. Quando a bíblia diz que devo amar o meu próximo como a mim mesmo, não está simplesmente constatando que me amo e devo amar o meu próximo. Não, isso seria algo muito superficial pra um livro que trata de questões tão profundas como a bíblia! Da mesma forma, quando as Escrituras dizem que devo amar meu inimigo, ela não está querendo acabar com meu senso crítico e tornar-me um masoquista. Pelo contrário, ela me ensina que amar é usar a razão e não depender de um sentimento. Porque o sentimento pode variar "na véspera", de acordo com as "condições naturais de temperatura e pressão" (CNTP). Comportamento, no entanto, é uma decisão, escolha racional: amo e pronto.

Temos mais facilidade em perdoar a nós mesmos do que a quem nos feriu, não é verdade? Isso porque insistimos que amar é um sentimento e não uma decisão. Pensando assim, não compreendemos que amar é "ágape" (o mesmo verbo utilizado por Paulo, o apóstolo dos gentios, em I Coríntios 13). Vale lembrar que, quando o "perito da lei" pergunta a Jesus (o Cristo) quem é o seu próximo, Cristo não responde prontamente cheio de detalhes as características do "próximo". Antes, apresenta a parábola do bom samaritano - para o desgosto dos religiosos que sentiam nojo do povo de Samaria, Jesus (o Cristo) demonstra que o samaritano amou o próximo.

Certamente, quando o sentimento ("fogo") do "casal pop" diminuir, a escolha de continuar junto ou não se apresentará. Nesse balaio todo, lembro de como iniciei meu relacionamento com Deus. Outra vez, para contrariar os "românticos", não tive nenhuma sensação diferente; nem por isso, duvido de minha conversão. Tive um encontro com Jesus (o Cristo) pela fé, fruto de Sua graça! Preciso admitir que durante minha caminhada com Jesus (o Cristo) sou tentado a trocar a fé por uns arrepios... Às vezes, até sinto uma atmosfera diferente, mas não posso - nem quero - ser refém de um sentimento.

Pois então... Madonna está com Jesus, o outro. Seu encontro se deu no Brasil, durante a "STICKY & SWEET TOUR" (nome de sua turnê). Oro pra que ela se econtre com Jesus, o Cristo. Esse, sim, é o modelo a ser seguido. Não o de braços fortes, peitoral definido, barriga enxuta e sensações (temporárias) de prazer... Mas, o de caráter transformado e que proporciona prazer em todas as circunstâncias. Isso se chama graça! Jesus, o modelo de vida! Porque amor é decisão, renúncia, cuidado, serviço, doação. Amor é um princípio! Amor é uma pessoa: Deus é amor. Amar é um verbo de ação e não de estado, ou melhor, é o Verbo que se fez pessoa: Jesus Cristo. E nossos relacionamentos? São baseados em qual modelo? O Jesus "ágape" (o Cristo) ou o Jesus "sentimental" (o outro)?

"Quando ele me chamou/ Não fez promessas/ Humanamente convincentes/ Nada que me enchesse os olhos/ Apenas disse que me faria um pescador/ Mas pescador de peixes eu sou/ E na verdade há muitos outros como eu/ Nós pescamos coisas distintas/ E mesmo que você não sinta /Tua vida algo vai buscar." (Pescador - Grupo Logos)

Por:Alexandre Nunes De Sá São Gonçalo - RJ

Fonte:Ultimato Related Posts with Thumbnails
Masturbação e Esperança
12 de Novembro/Quinta Feira

Era uma reunião de dez rapazes cristãos e a galera tinha se reunido pra compartilhar um pouco da vida. Bons amigos, eles tinham abertura pra falar de diversos assuntos polêmicos. Foi assim que um dos membros fez uma pergunta direta: “E aí amigos, qual de vocês nunca se masturbou?”

O silêncio revelou a resposta de todos. Ninguém poderia dizer: “Eu não!”

A masturbação tem sido definida como “a procura solitária do prazer, por meio de excitações realizadas com as mãos ou de qualquer outra maneira”. No meio cristão, as opiniões sobre o tema divergem muito. Estudiosos variam de opinião, considerando a masturbação desde um pecado grave até um presente dado por Deus. Não é sem razão que as opiniões não tenham consenso: a masturbação não é diretamente citada ou proibida pela Bíblia.

A masturbação pode acontecer em diferentes fases da vida e ter um significado diferente para cada pessoa. Na infância, é um processo de reconhecimento do próprio corpo; na adolescência e juventude, tende a ser um modo de liberar a energia sexual, uma “válvula de escape”, já que não há um parceiro(a) sexual ou, se forem cristãos evangélicos, esperarão pelo casamento.

Certamente a nossa humanidade não é estática. Estamos em desenvolvimento e temos a possibilidade de viver uma contínua abertura para a realidade e para a verdade, ou, ao contrário, viver um fechamento e regressão. O Eterno criou o humano em uma abertura relacional, dando ao homem a possibilidade da intimidade e de relacionamentos que o façam crescer. Homem e mulher são obra perfeita que se completa em mútua dependência.

É por não conter a intimidade e o relacionamento que a masturbação não consegue expressar toda a beleza do projeto de Deus para a sexualidade humana. No livro “Ele os Criou Homem e Mulher -- para uma vida de amor autêntico”, Jean Vanier descreve os dramas dos deficientes mentais da comunidade Arca. Muitos viveram experiências de rejeição; alguns deles se masturbam compulsivamente. Diante de realidades tão sofridas, ele conclui: “Outrora condenava-se com muito rigor a masturbação. Essa condenação corre o risco de suscitar temores, de alimentar o complexo de culpa, acarretando graves inibições e até mesmo um ódio de si e do corpo. Hoje, a tendência é dizer que a masturbação não tem importância, que é preciso deixar correr, que é normal na adolescência. Parece-me que a verdade está entre esses extremos, entre o rigor excessivo e a licenciosidade. Não se deve condenar o jovem que se masturba. Ele tem pulsões que não consegue integrar. Porém, é preciso ajudá-lo a não repetir esta prática.
A masturbação pode fechá-lo em si mesmo, num mundo imaginário e impedi-lo de viver uma verdadeira relação”.

Vanier sugere que não devemos condenar um jovem que se masturba; ele ou ela está buscando integrar-se. Contudo, a prática repetida contém perigos, sendo um deles a tendência de fechar a pessoa na fantasia. Uma personalidade madura nos possibilita enfrentar a realidade e amar os outros como são, e não como sonhamos que sejam. O risco é fechar o jovem em uma expressão sexual que não se orienta para a comunhão e para a doação. Muitos jovens estão presos em um ciclo de isolamento e angústia e usam a masturbação para aplacar a solidão.

É na vida autêntica de seus relacionamentos, vivida pelo solteiro nas amizades e no namoro, que ele ou ela se abre para a vida verdadeira e para a expressão de afetos e medos. Em um contexto de aceitação e verdade, a confiança no amor cresce. Assim, o jovem caminha rumo à integração da sexualidade, afirmando sua esperança no amor e, sobretudo, no amor de Deus, que o cura e o livra da culpa.

Devemos lembrar que nossa sexualidade não se restringe ao genital, mas se expressa no cuidado e no afeto em nossos relacionamentos. A expressão “vida sexual ativa” como sendo somente o ato sexual reduz a sexualidade e não contempla todas as suas dimensões. Boa parte da ênfase na sexualidade genital é consequência do desaparecimento das verdadeiras amizades. Em uma sociedade que enfoca a sensação e não o vínculo, o sexo se torna expressão de corações feridos, e não de corações abertos.

Tenho a convicção de que muitos de nós, cristãos evangélicos, sofremos com a masturbação. Muitos querem deixar a prática e partir para um relacionamento, mas nem sempre conseguem. Porém, eu vejo beleza e verdade em todos aqueles que desejam servir a Cristo e, reconhecendo suas fraquezas, correm para a graça de Deus se apropriando das palavras do apóstolo Paulo: “Já não há condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus”.

Podemos celebrar a sexualidade do povo de Deus porque celebramos aquele que criou a beleza, o prazer e o amor. O plano de Deus para nós é a participação em sua vida, no vínculo perfeito do Pai, Filho e Espírito Santo; é um pleno relacionamento com os outros; é amar. O grande drama humano é fechar-se em si mesmo, sem comunicar-se. Sem esta abertura relacional, nossa vida se esvazia e a chama se apaga. A base da nossa esperança é a confiança no amor de Deus, que sustenta as nossas frágeis iniciativas de amor humano. Cada um de nós deve lutar pela esperança e amor em nossos relacionamentos, a fim de manter acesa a chama da vida.


• Davi Chang Ribeiro Lin, 25 anos, é psicólogo pela UFMG, especialista em psicologia clínica existencial e mestrando em estudos cristãos no Regent College, Canadá.

Fonte: Ultimato Related Posts with Thumbnails
Orgulho de ser Universitário Evangélico
Dando a cara a tapa

Todo jovem sabe que declarar-se evangélico na universidade é quase como carregar uma placa dizendo “chute-me”. Pode parecer exagero, mas é fácil perceber como as lutas desenvolvidas por vários grupos sociais no espaço da universidade sempre se voltam a debater o que eles consideram a “atrasada e repressiva moral cristã”, inimiga das liberdades de expressão, pensamento, sexualidade e política. Da mesma forma, praticamente todo cristão sabe que essa religião tão criticada entre os acadêmicos reflete pouco os verdadeiros ensinamentos da Bíblia.

A Aliança Bíblica Universitária (ABU) de Belo Horizonte, MG, resolveu organizar a Semana do Cristianismo para divulgar o que consideramos ser a verdade do evangelho, tentar superar esse preconceito e mostrar que a racionalidade não é – nem nunca foi – oposta à fé em Deus. Com palestras dirigidas por grandes figuras evangélicas – entre elas Rogério Greco, Procurador de Justiça do Estado de Minas Gerais; rev. Elben César, jornalista; e Fábio, goleiro do Cruzeiro – e apresentações artísticas distribuídas em oito espaços da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Semana quer lembrar à comunidade acadêmica a relevância científica, cultural e social dos valores cristãos, bem como sua importância na vida de cada indivíduo.

Mais informações sobre a Semana do Cristianismo em www.abubh.blogspot.com

Pabline Félix

Fonte: Revista Ultimato Related Posts with Thumbnails
A Igreja que Muitos Sonham
Um sonho de igreja
Jorge Camargo


Em 2001 passei aproximadamente um mês na África, especificamente em Angola, na cidade do Lubango.

Na época o país ainda estava em guerra (que terminou em abril de 2002). A cidade, como o restante da nação, sofria as mais variadas consequências do conflito que se iniciara: primeiro em busca da independência de Portugal, depois descambou num confronto fratricida.

Em meio a tantas dificuldades, observei que havia muitas igrejas de origem protestante na cidade representando várias denominações. Na comunidade onde o grupo que eu liderava trabalhou, muitas eram as atividades desenvolvidas em prol da comunidade como um todo. E em uma cidade sem qualquer tipo de opção de lazer e de cultura, a igreja se tornara um ponto de encontro, um pólo produtor de atividades culturais em suas mais variadas formas: música, dança, teatro, artesanato etc. Um autêntico oásis num deserto de opções e de carências.

No meio daquele caos social, tive um vislumbre do que entendo ser a contribuição da igreja ao mundo. Sonhei uma igreja. O que seria de nós sem a possibilidade de sonhar?

Vamos ao sonho:
Uma igreja cujo templo está localizado no centro da cidade, de fácil acesso e muita visibilidade.

Suas portas estão abertas diariamente (ao contrário de muitos edifícios religiosos que funcionam somente nos dias de culto e que no restante do tempo permanecem trancafiados). Além dos cursos profissionalizantes, do atendimento aos necessitados, das parcerias com a prefeitura, o estado, o governo federal e a iniciativa privada, a igreja também possui um intenso calendário cultural que, diferente de outras que utilizam somente as datas cristãs para promover seus musicais, abre o espaço de seu imenso palco a uma programação intensa que contempla todos os estilos de música. Às quintas, por exemplo, uma camerata se apresenta no templo com repertório barroco e entrada franca, de modo que os moradores da cidade que apreciam música erudita têm oportunidade de assistir um concerto gratuito, além de apreciar os vitrais da velha catedral protestante, e tomar um delicioso café no salão, servido pelos membros da comunidade, que usam esse tempo como oportunidade para servir e estabelecer amizades. Sem proselitismo. Sem forçar a barra. Amizade genuína e desinteressada.

Às sextas as noites são de rock pesado. Os adolescentes e jovens da igreja, instruídos que são a cultivarem amizades fora dos muros de seu templo, veem na programação mensal, que inclui o concerto de rock, uma oportunidade de convidar seus amigos a conhecer o espaço e ouvir a música que ambos apreciam. E assim estarem mais perto. Curtirem a oportunidade de ser gente no meio de gente. Bem ao estilo de Jesus, que amava as festas e a possibilidade de estar cercado de pessoas.

No rodízio de programação incluem-se shows de MPB, música alternativa, música instrumental de estilos variados, palestras sobre música e cultura, musicoterapia etc.

Algumas manhãs e tardes são reservadas às exposições: pintura, escultura, gravura, fotografia.

Há também as mini-temporadas teatrais, os saraus, com leitura de poemas, os lançamentos de livros.

Quantas opções de difusão de arte e cultura forem concebidas e viabilizadas no espaço singelo de um templo! No espaço do coração e da mente arejada de uma comunidade que existe para servir o mundo e contagiá-lo com boas obras, serviço abnegado e amor sem limites.

Estou perto de despertar de meu sonho quando alguém toca em meu ombro e diz: “Quero agradecer ao pastor da igreja por abrir as portas do templo e do coração para me receber. Não imaginei que esse espaço pudesse servir a tantas possibilidades. Qual é mesmo o horário dos cultos aqui?”.

Acordo acreditando que a igreja ainda possa ser lugar de encontro, de acolhimento, de sorriso, de mentes e corações desarmados.
Mas tudo isso ainda é apenas um sonho.

• Jorge Camargo, mestre em ciências da religião, é intérprete, compositor, músico, poeta e tradutor. www.jorgecamargo.com.br

Fonte: Revista Ultimato Related Posts with Thumbnails
Quando a Separação nos Uniu
A separação de Vera e Denilson

No dia 18 de novembro de 1998, às 7 horas da manhã, depois de 9 anos e 5 meses de casados, Vera e Denilson se separaram. A separação aconteceu no bloco cirúrgico do Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte. Vera deu um beijo no marido e entrou numa das salas. Denilson também beijou a esposa e entrou noutra sala.

Na sala à esquerda, o cirurgião abriu a barriga de Denilson e retirou um dos seus rins. Pouco depois, na sala à direita, outro cirurgião abriu a barriga de Vera e colocou lá dentro o rim tirado da barriga do marido.

Era para tudo dar certinho. Denilson tinha o mesmo tipo de sangue de Vera e estava em excelente estado de saúde e ainda era magro, o que facilita em muito a retirada do rim. Mas o rapaz de 32 anos teve choque anafilático e ficou em coma induzido, pois estava num quadro grave de edema pulmonar, parada respiratória e queda dos batimentos cardíacos. Teve de ir para o CTI Cardiovascular. O que aconteceu com ele não foi o que se esperava. Vera quase ficou viúva.

Depois de 27 horas de coma e de muita oração da igreja e da família, Denilson voltou à consciência, sem saber o que havia acontecido. Estava completamente restabelecido e sem seqüela alguma.

O transplante de Vera foi um sucesso. Do CTI, onde permaneceu por 4 dias, ela foi diretamente para o quarto para se recuperar da cirurgia. De repente, começou a passar mal. Era esperado que tivesse uma rejeição, mas Vera teve três rejeições gravíssimas. Depois de passar 17 dias no hospital, a jovem senhora, um ano mais velha que o marido, teve alta do hospital para passar o Natal e o fim de ano com a família. Mas foram dias dificílimos. Vera adquiriu uma infecção na boca; não podia comer, emagreceu muito, começou a definhar. A própria médica não tinha muita esperança na sobrevivência da paciente. Denilson quase ficou viúvo. Depois de 2 meses de sofrimento, expectativas e muita oração, Deus levantou Vera do leito de morte.

Graças ao marido, graças ao rim que era de Denilson e agora é dela, Vera escapou não só da morte, mas também da hemodiálise, da qual tem verdadeiro pavor.

Menos de 5 anos depois daquela bonita e momentânea separação ocorrida no Hospital Felício Rocho, Vera e Denilson estão muito juntos. Ambos são assembleianos e professores da Faculdade de Teologia da Assembléia de Deus de Belo Horizonte. Além disso, Vera está cursando psicologia na Universidade Católica de Minas Gerais.

Vera Lúcia Rodrigues Maia e Denilson Cardoso Maia têm grande entusiasmo pela doação de órgãos e são propagandistas dela. Não só porque o marido é doador e a esposa é receptora, mas também porque, quando a mãe de Vera morreu, no ano anterior ao transplante de 1998, a família inteira concordou em doar as córneas da falecida. Para quebrar a resistência das pessoas e retirar da cabeça delas as histórias fantasiosas em torno da doação de órgãos, Vera e Denilson lembram que a primeira doação da história, a mais perfeita e mais proveitosa, foi feita por Jesus Cristo: “Eu sou o bom Pastor e o bom Pastor dá a vida pelas ovelhas” (Jo 10.11).

Fonte:
Revista Ultimato
E-mail: denivera@terra.com.br
Related Posts with Thumbnails