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COLAGEM: Jonas - Lanterna dos afogados - Oração
12 de Abril/Terça Feira



Jonas 2

E orou Jonas ao SENHOR, seu Deus, das entranhas do peixe.

E disse: Na minha angústia clamei ao SENHOR, e ele me respondeu; do ventre do inferno gritei, e tu ouviste a minha voz.

Porque tu me lançaste no profundo, no coração dos mares, e a corrente das águas me cercou; todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado por cima de mim.

E eu disse: Lançado estou de diante dos teus olhos; todavia tornarei a ver o teu santo templo.

As águas me cercaram até à alma, o abismo me rodeou, e as algas se enrolaram na minha cabeça.

Eu desci até aos fundamentos dos montes; a terra me encerrou para sempre com os seus ferrolhos; mas tu fizeste subir a minha vida da perdição, ó SENHOR meu Deus.

Quando desfalecia em mim a minha alma, lembrei-me do SENHOR; e entrou a ti a minha oração, no teu santo templo.

Os que observam as falsas vaidades deixam a sua misericórdia.

Mas eu te oferecerei sacrifício com a voz do agradecimento; o que votei pagarei. Do SENHOR vem a salvação.




Fonte: http://ultimato.com.br/sites/marcosbotelho/

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Uma igreja para quem não gosta de igreja
18 de Dezembro/Sábado

Já reparou que a gente costuma sentar no mesmo local todos os domingos na igreja? Sem pensar, quando entramos, já vamos direto para lá e pior, às vezes “achamos” que o lugar é nosso.

A maioria das pessoas não gosta de mudanças e é por isso que elas incomodam. Gostamos de ficar nos nosso conforto, mas crescimento requer mudanças.

Vira e mexe alguém me pergunta por que esta geração não se contenta com o que está na igreja, por que sempre estamos querendo mudar as coisas.

Não somos estátuas e nem somos feitos em séries, estamos o tempo todo em movimento, gerando novas culturas, novas necessidades e novos questionamentos.

Sinto que às vezes a igreja está dando respostas para uma pergunta que fizemos há 15 anos. O problema é que não nos lembramos mais dela porque já fizemos centenas de outras perguntas depois.

Há uns 10 anos fui em uma igreja na Califórnia que não tinha templo, eles se reuniam em escolas, já que aos domingos as escolas estão fechadas. Ao entrar, vi lá na frente uma faixa: “Uma igreja para quem não gosta de igreja”. Fiquei abismado com a proposta na hora, mas hoje eu entendo.

Fomos fazer uma série com Liturgia 2.0 (procurar em outros textos) para pessoas que não gostam de igreja, e uma das pessoas que estavam construindo essa série comigo me perguntou: “Não seria melhor a gente investir naqueles que gostam de igreja?”

Pensei: “Não é isso que fazemos todos os domingos?”.

Hoje eu sei o porquê busco mudar e continuar reformando a nossa igreja: porque eu seria um daqueles que gostaria muito de Jesus e do evangelho, mas não me adaptaria com a igreja.

Andy Stanley certa vez falou que “devemos casar com nossa missão e namorar a metodologia”.

O problema é que fazemos o contrário, casamos com a “forma”, porque não gostamos de mudanças, e acabamos enfraquecendo os nossos laços com a missão da igreja.

Eu diria que devemos casar com a missão e ficar com a forma, só usá-la e, quando ela não estiver sendo mais útil para a missão, devemos jogá-la fora.

O que não muda é a missão, é o nosso Deus. A forma tem que estar em mudança o tempo todo. Assim, as pessoas não vão recusar a essência (Deus) em detrimento da forma (liturgia).

Acho que é por isso sou um cara incomodado que as vezes incomoda, porque fico sempre pensando: “quantos Marcos Botelhos, Andrés, Ricardos estão aí fora sem ter experimentado o que é a igreja na essência, a vida no corpo de Cristo, e estão batendo cabeça sozinhos?”

Fonte: http://ultimato.com.br/sites/marcosbotelho

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A revista dos meus pais
05 de Outubro/Terça Feira

Era criança quando via a revista na mesa da copa lá de casa. Não éramos muito de assinar revista, mas essa chegava sempre a cada dois meses. Queria saber o porquê meus pais gostavam tanto de lê-la.

Fui crescendo e com o tempo fui entendendo por que, na revista tinha gente que pensava fora da caixa, tinha gente que eu conhecia pessoalmente e que comprovava o seu valor. Sempre quis escrever como eles, mas por ter estudado em escola pública e, por ter sido um péssimo aluno, não me sentia capaz nem sequer de escrever uma redação.

Quando entrei no seminário comecei a ganhar muito gosto em estudar e ler, vi o grande desafio para o qual a revista se propunha, queria fazer um ponto em comum entre os evangélicos e os católicos, diminuir a distância entre os dois e enfatizar mais o evangelho.

Sempre gostei de ler as cartas que os leitores mandavam, por saber que a revista não vetava nenhuma crítica.

Em 2007,lembro de pegar esta revista na mão e falar para o meu pai, quero fazer parte desta equipe, um dia vou escrever para ela. Comecei a escrever em blog da blogspot, depois vi que tinha que comprar o domínio www.marcosbotelho.com.br, fui investindo na escrita e aprendi a escrever artigos curtos para internet. Mesmo com dificuldades no português, sempre tive ajuda da minha namorada, agora esposa, na correção dos meus textos.

Ao longo destes três anos várias revistas, sites e blogs pediram para publicar meus artigos e, no mês passado, recebi um convite oficial da Ultimato para migrar todo o conteúdo do meu blog e vlog para o site deles e, assim, me tornar um colunista de jovens e líderes do site com o meu blog.

Aquela revista que eu via no colo do meu pai desde que era apenas um menino, agora faço parte de seu time. Compartilho com vocês, que seguem meu blog semanalmente, este sonho. Vale a pena ter referenciais, vale a pena sonhar, vale a pena entregar nas mãos de Deus!
Testemunho Marcos Botelho

Fonte: http://ultimato.com.br/sites/marcosbotelho/

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A Morte nos Acelera
07 de Setembro/Terça Feira

Estes dias morreu o pai de uns amigos meus e, mesmo ele já estando doente por muito tempo, nos pegou de surpresa.

Como a morte acelera tudo, de manhã recebemos a notícia, tivemos que correr atrás de tudo do velório: local, avisar os amigos, pagar contas, assinar papéis, etc. Mal recebi a noticia e já estava lá do lado do caixão, entre oração e choros e, quando vi, a morte passou rapidamente levando aquele dia!

Como é diferente com a vida, não tem pressa, nada de correria, o grão germina lentamente, leva dias ou 9 meses para chegar, da pra curtir e se preparar. Tentamos até marcar dia e hora. Aí chega o dia em que a vida aparece e todos celebram!

Pode passar o dia e chegar o sono, mas a vida está lá pacientemente no outro dia te esperando no nascer do Sol.

Este mundo em que vivemos está cada vez mais acelerado, mais corrido, parecendo com a morte, não curtimos, não sentamos para esperar, não celebramos.

Somos pegos de surpresa o tempo todo por um turbilhão de coisas, sempre atrasados e com o coração angustiado por não dar conta de fazer o que esperam de nós.

Temos que desacelerar para reparar no caminho, precisamos sentar e perceber como ela é linda em sua lentidão!

O ritmo acelerado é o ritmo da morte, onde não há contemplação plena, apenas o tempo passando como um dia de velório.

Fonte: http://marcosbotelhodojv.blogspot.com

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22h 12
03 de Agosto/Terça Feira


Estava no meu escritório, na frente do meu laptop, dando uns últimos retoques numa pregação em Daniel que ia fazer dois dias depois, domingo, na minha igreja,quando alguém bateu na porta.

- Quem é?

Logo gritei, mas nada de entrar. Então gritei mais uma ou duas vezes e levantei pensando quem estaria na porta aqui em casa as 22h12 da noite.

Quando abri aporta, assustado, falei:

- Nossa você aqui? Já?!

Ele respondeu levantando uma das sobrancelhas:

- Esta reação não muda mesmo, todo mundo leva um susto quando me vê.To pra ver alguém que fale simplesmente um Oi!

Eu olhava para ele com muito espanto e preocupação, acho que a descarga de adrenalina tinha me paralisado. Certa vez vi na Discovery que isso pode acontecer.

- É Marcos, chegou a hora! Ele disse olhando para o relógio e se virando como se estivesse com muita pressa.

- Pera, pera ai! Calma, entra um pouco.Falei para ele de sopetão, pois estava de chinelo e já com a roupa de dormir.

- Marcos eu não tenho muito tempo, do que você precisa para ir?

- To muito surpreso, é que eu não estava te esperando agora.

E ele respondeu:

- E quem está?Disse ele.

- Não, não é isso. Entra aqui na cozinha rapidinho vou pegar um copo d’agua para o senhor.

Ele falou que não precisava, mas fui pegar assim mesmo, pois precisava ganhar tempo para pensar e, também, a esta altura minha boca estava totalmente seca.

Quando me viro, sinto-me aliviado, pois ele tinha sentado a mesa da cozinha.

- Marcos, por que você está me enrolando?

- Mestre eu sei que eu deveria estar muito contente, te abraçar. Mas é que...

- É que você não acreditava que isso realmente podia acontecer!

Ele me interrompeu.

- Não é bem assim. É que.

Com uma respirada parei a frase no meio e pensei, a quem estou querendo enganar, a ele? E sem pensar faço a pergunta mais estúpida da minha vida, como uma correção:

- Mas você não deveria vir nas nuvens para todos verem?

Foi quando ele deu uma risada que lembrou a do meu pai, chegou até a inclinar a cabeça para trás.

- Ah meu filho, vocês tem a mania de interpretar as figuras de linguagem de forma literal e as literais de forma figurada.

E deu outra risada bem alta. Eu também ri com ele, meio sem graça por não entender bem a piada, mas também ri. Sempre dou risada quando vejo alguém rindo, mesmo quando não entendo!

Depois de alguns segundos ele bate as duas mãos na mesa, se levanta e fala:

- Bom, já que você tomou o copo d’água que era pra mim, acho que podemos ir.

- Você não quer que eu chame os outros? Quem está indo também?

- Marcos os que tem ser chamados agora só eu posso chamar, sozinho com cada um. As pessoas que você deveria chamar, deveria ter sido antes das 22h12. Mas não se preocupe, você vai ficar muito feliz com quem vai encontrar lá.

Já estávamos saindo e por força do hábito peguei a chave de casa que fica pendurada em uma casinha na parede em cima do filtro.

- Pode deixar a chave Marcos, a partir de agora você não mora mais aqui.

- Desculpa mestre, ainda não to acreditando no que esta acontecendo.

E ele me disse com uma risadinha no canto da boca:

- Não se preocupe, você vai ter uma eternidade para cair a ficha!

Autor: Marcos Botelho


Fonte: http://marcosbotelhodojv.blogspot.com

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Troco 100 scraps por 1 abraço
08 de Julho/Quinta Feira

A cada ano que passa eu recebo mais scraps no meu aniversário e menos abraços. Tudo começou com a popularização do celular há alguns anos atrás. Meus amigos e familiares começaram a me ligar no dia do meu aniversário e pararam de vir me visitar para me dar um abraço, desejar um feliz aniversário e comer um bolinho da minha mãe. Mas foi depois do Orkut que todos sumiram de vez.

Agora, quando chega o meu aniversário, entro no meu computador e gasto horas lendo todos os scraps maravilhosos que recebo, são de pessoas de longe, de perto, e o mais engraçado, dos meus vizinhos também. O problema é que leio no fim das frases: bjs e abraços, mais não os sinto. O fato de só lê-los não me faz sentir que realmente fui lembrado e visitado.

Por sinal estou ficando neurótico, não sabia que tantas pessoas faziam aniversário cada dia. Todo dia vejo no Orkut uma lista de pessoas que nem conheço tão bem assim, mas vi em um acampamento ou num evento, que estão fazendo aniversário e, pelo fato do Orkut me lembrar, me sinto na obrigação de mandar um scrap, mesmo sabendo que se não fosse o Orkut não teria a mínima possibilidade de eu saber que este colega estaria fazendo aniversário.

O que fazemos com esta pressão? Mandamos o scrap por desencargo de consciência!

Por isso lanço essa campanha solidária, onde deixo bem claro que troco 100 scraps de feliz aniversário por um abraço.

Não sei no mercado de valores quanto está valendo um abraço, mas sei que, proporcionalmente, para mim: 100 scraps valem 1 abraço e os scraps animados estão muito mais desvalorizados 1000 por 1; um depoimento está valendo 45 por 1; um telefonema está valendo 20 por 1 e uma carta de correio escrita a mão esta valendo 5 por 1.

Essa grande tabela de valores muda todos os dias, mais de uma coisa eu tenho certeza, quando vamos avaliar mesmo o que nos faz sentir amados pelos nossos amigos, os scraps não estão valendo nada. Por isso fique sabendo que: quando você vir a minha foto e de muitos amigos que tenho conversado, na lista de aniversariantes do seu Orkut, estamos trocando 100 scraps por 1 abraço.


Fonte: http://marcosbotelhodojv.blogspot.com

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Meus inimigos estão na TV. Teologia eu quero uma pra viver!
28 de Junho/Segunda Feira

Geração 80:
Cazuza, em uma de suas músicas, anunciou como um grito o que os jovens estavam passando na década de 80: “Meus heróis morreram de overdose, os meus inimigos estão no poder. Ideologia eu quero uma pra viver”.

Uma geração que sonhava muito com a liberdade que a ditadura abafou em seus corações. Focaram seus esforços, talentos e estudos na busca de uma ideologia que prometia uma vida mais livre!

Mas a queda da ditadura e a “liberdade” tão pregada por eles não foi um mar de rosas como se esperava . Os heróis, personalizados nos cantores e suas bandas, estavam se lixando com tudo e todos e alguns acabaram morrendo de overdose ou AIDS.Os grandes acordos políticos foram feitos e os mesmos políticos continuaram no poder transformando a liberdade democrática em mais uma bandeira publicitária focada em seus próprios interesses.

No fim da década de 80 aquele menino que ia mudar o mundo não tinha muito mais para onde ir, nem o que lutar contra, pois, teoricamente, já tinham conquistado o que procuravam. Mas a angústia ainda estava nos corações daqueles jovens, como se não tivessem encontrado o que realmente procuravam.

Geração 2010:
Sinto que nós jovens evangélicos chegamos, depois de 20 anos, na mesma situação e, parafraseando o grande poeta: Meus heróis morreram de overEgo, os meus inimigos estão na TV. Teologia eu quero uma pra viver!

Sou de uma geração que sonhou com um evangelho mais jovem e contextualizado, com evangélicos se destacando na sociedade. Focamos nossos esforços, talentos e estudos na busca de uma teologia que prometia uma vida mais livre!

Mas hoje olho para os meus heróis morrendo de OverEgo, onde tudo gira em torno deles, líderes religiosos que se acham a voz de Deus aqui na terra e estão se lixando com tudo e todos.

Vejo eventos e congressos onde estes meus heróis, preletores, chegam, dão suas palestras e saem antes mesmo de acabar a reunião. Não os conheço, nem sei como são pessoalmente, se tornaram só boas idéias. São líderes gnósticos que não se encarnaram em nosso meio, mas que possuem um conhecimento mais profundo da bíblia. O pior é ver que a cada dia estou me tornando a imagem e semelhança deles. Estou destinado a morrer de overego.

A angústia de toda vez que me declaro evangélico ser relacionado com os pregadores da TV brasileira me irrita. Percebo que os meus inimigos estão na TV. Pois sou confundido com o que mais tenho repúdio.

E a notícia que seremos 50% da população, em breve no Brasil, deixa aquele menino que ia mudar o mundo com uma sensação de não ter mais para onde ir, nem contra o que lutar, e que agora assiste tudo em cima do muro. Mas a angústia ainda está no meu coração, como se eu não tivesse encontrado o que realmente procuro .

Um grito em minha alma ainda me perturba, repetindo a frase que ouvi da música do U2 “But I still haven't found what I'm looking for”.

Autor: Marcos Botelho

Fonte: http://marcosbotelhodojv.blogspot.com



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