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Eunucos: Ora, bolas! (Parte Final)
01 de Julho/Quinta Feira

Filipe e o Eunuco


"Pode um homem ser realizado profissionalmente e no entanto sentir-se vazio e frustrado? Crescimento profissional é sinônimo de crescimento interior? Para aonde ir quando tudo que conquistamos na vida parece não ter muito sentido, e sentimos na boca o gosto amargo da ansiedade?

"E o anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Levanta-te e vai para a banda do sul, ao caminho que desce de Jerusalém para Gaza, que está deserta. E levantou-se, e foi, e eis que um homem etíope, eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros e tinha ido à Jerusalém para adoração". (Atos 8:26 e 27)

O protagonista deste texto bíblico é eunuco. Um eunuco era um homem privado de sua masculinidade. Quase sempre se dedicava ao humilhante trabalho de cuidar das mulheres que formavam o harém do Rei. Mas, no texto que acabamos de ler, o eunuco é apresentado como o principal administrador dos tesouros do reino de Candace. Em outras palavras, ele conseguiu chegar no topo de sua carreira profissional.

Era próspero financeiramente, tinha um bom salário, mas, faltava-lhe alguma coisa no coração. Ele sentia um grande vazio e isso o incomodava. Quando chegava a noite não conseguia dormir. Sabe por quê? Porque por ser um eunuco estava condenado a não ter descendentes. Não teria geração. Sua vida terminaria com ele mesmo.

O futuro de um eunuco era incerto ou talvez certo demais: uma curta existência nesta Terra e nada mais. Quando ele morresse não teria filhos nem netos para contar sua história. Seu futuro era negro, sem perspectivas. Tudo isso o atormentava, o angustiava demais. Todas essas inquietudes fazia-o sentir que tudo que conseguira na vida não tinha muito sentido.

Você, caro amigo, que lutou muito e conseguiu alguma coisa na vida, também sente que isso não lhe satisfaz? Você que se casou pensando que o casamento o realizaria; hoje tem uma boa família, uma boa esposa, filhos, lá no fundo também carrega um vazio? Tem medo do futuro, da morte?

Alguma vez você se perguntou para que serve a vida? Você se levanta pela manhã, vai para o trabalho, volta à tarde cansado, toma um banho, janta e no dia seguinte repete a mesma rotina e assim passam-se os seus dias. Isso é vida?

Quando o ser humano se sente vazio, ele vai a qualquer lugar à procura de solução para seus problemas. Se dispõe a bater em qualquer porta, em qualquer tipo de filosofia. Não importam as dificuldades. O homem nunca fica de braços cruzados deixando ser devorado pela angústia. Por isso, quando o etíope soube que havia uma festa espiritual na cidade de Jerusalém, dirigiu-se para lá. Precisava de solução para suas inquietudes.

E você? Quais são as suas inquietudes? Há coisas que o incomodam? Você vive em busca de respostas para suas dúvidas e questionamentos? Você já se perguntou de onde você vem e para aonde vai? Qual é o seu futuro? O que lhe reserva o amanhã?

Talvez, você então consiga compreender o etíope. Ele também queria respostas para suas perguntas e por isso foi até Jerusalém. Continuando a leitura do texto percebemos que aquele homem foi à Jerusalém, mas não encontrou as respostas que procurava. Aquela igreja estava perdida e confusa em meio a tantos detalhes da religiosidade. Centímetro para cá, milímetro para lá, vírgula aqui, ponto ali, não pode isto, não pode aquilo... Ela se preocupava apenas com a aparência. Os detalhes do sacrifício do Cordeiro, da oferta e das cerimônias ocupavam tanto a atenção destas pessoas, que elas tinham perdido de vista a essência da vida: Cristo.

Esse homem angustiado, vazio, triste, desesperado, teve o trabalho de deixar Gaza, subir à Jerusalém para participar, ouvir, ver, tentar entender, mas infelizmente não encontrou nada e voltou para sua terra tão vazio quanto tinha ido.

Querido, Deus colocou em meus ombros a responsabilidade de mostrar-lhe a Palavra divina. Suplico a Ele que ao você acabar a leitura, não a faça sem as respostas que precisa.

Veja novamente o que diz este verso: "E o anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Levanta-te e vai para a banda do sul, ao caminho que desce de Jerusalém para Gaza, que está deserta". (Atos 8:26)

Ah, meu amigo, isto é maravilhoso! Jesus sabe quem é você. Ele conhecia até o caminho por onde viajava o etíope. Ele conhece a história de sua vida, as inquietudes de seu coração e com certeza não o deixará sem respostas.

Autor: PR. ALEJANDRO BULLÓN


Fonte: http://www.jesusvoltara.com.br/


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Eunucos: Ora, bolas! (Parte 2)
30 de Junho/Quarta Feira

por Eliza Muto e Roberto Navarro

Mil e uma noites

“A imagem que fazemos dos eunucos dos reinos muçulmanos é a daqueles escravos negros prostrados nas portas dos haréns, mas no Império Otomano, desde o século 7, eles exerceram todo tipo de função, desde zeladores de mesquitas até administradores e professores”, diz o historiador David Ayalon, autor de Eunuchs, Caliphs and Sultans: A Study of Power Relationships (“Eunucos, Califas e Sultões: Um Estudo de Relações de Poder”, sem versão em português). Segundo ele, os escravos vindos da Europa oriental, da Ásia e, principalmente, da África eram castrados em território não islâmico, na crença de que isso mantinha a terra muçulmana pura. Para efetuar o trabalho, alguns centros especializados em castração foram criados nas fronteiras do território otomano. Especializados, nesse caso, é maneira de dizer, já que não passavam de locais improvisados, onde os próprios comerciantes de escravos, ou às vezes seus captores, faziam a cirurgia, que podia até variar de método, mas era sempre dolorosa e potencialmente mortal. Em alguns lugares, o procedimento consistia em abrir o escroto com uma lâmina e apenas retirar os testículos. Noutros, tudo era retirado. Poucos dias depois, os escravos eram entregues a seus novos donos: os sultões.

Geralmente, os escravos vindos do norte da África tinham o pênis inteiro retirado. O que, na hierarquia do harém, acabava sendo um privilégio, já que só os eunucos nessa condição podiam atuar como guardiões do leito e ficar longe do trabalho pesado. Eram eles que levavam a concubina aos aposentos do sultão e os únicos homens que podiam entrar no harém no caso de emergência. “Os mais antigos chegavam a atingir o posto de kizlar agha, uma espécie de terceiro homem do império – abaixo apenas do sultão e do califa –, exercendo grande poder político na corte”, diz Ayalon.

Família soprano

No Ocidente, os eunucos mais famosos, ricos e poderosos foram os castrati, cantores que brilharam nas cortes européias dos séculos 17 e 18. Recrutados entre filhos de camponeses e artesãos ou em orfanatos, eles eram castrados na infância para manter intactos seus timbres agudos de voz e passavam a viver sob a proteção da nobreza e do clero. “Os sopranos masculinos eram as estrelas do canto barroco e das óperas”, diz o historiador Patrick Barbier, autor de História dos Castrati. Segundo ele, os eunucos-cantores ganharam os palcos europeus, tendo à sua volta um séquito de reis, papas, nobres e artistas. Mozart, por exemplo, utilizou a voz cristalina desses cantores para interpretar suas criações, até que se cansou das exigências de algumas estrelas, como Farinelli. Considerado o maior entre todos os cantores castrados, ele se tornou amigo próximo do rei Filipe V, da Espanha, onde chegou a exercer funções políticas nada desprezíveis.

Uma especificidade dos castrati era que deles somente os testículos eram extirpados pelo médico ou barbeiro, que na época eram a mesma pessoa. Segundo Barbier, a maioria podia inclusive ter relações sexuais mais ou menos normais, já que a castração não impedia a ereção nem a emissão de esperma. Nesse caso, a mais afetada (sem trocadilhos) era a aparência. Castrados muito jovens desenvolviam uma estrutura muscular próxima da feminina, com depósitos de gordura nos quadris, coxas e pescoço e ausência de pêlos. Outro problema era o interesse sexual. Sem a testosterona produzida pelos testículos, era difícil ter algum apetite pelo assunto. Apesar disso, alguns ficaram mais famosos pelas estripulias sexuais do que por sua voz e viraram ídolos das mulheres, que protagonizavam cenas de histeria dignas das fãs de Michael Jackson. Um deles, Rauzzini, chegou a posar para grandes artistas da época e virou uma espécie de cantor-modelo-manequim do século 18, mais conhecido pela beleza do que pela voz.

No fim do século 18, no entanto, a Igreja, acuada com a questão moral da castração, começou a reagir, condenando, ainda que de maneira velada, a mutilação dos jovens. E a Europa também já mostrava sinais de indignação com a prática, particularmente os filósofos do Iluminismo. Jean-Jacques Rousseau se levantou contra os “pais bárbaros” que “entregam os filhos para o prazer de gente voluptuosa e cruel.” Por fim, em 1902, o papa Leão XIII proibiu a utilização de castrati na música sacra. E, aos poucos, os eunucos-cantores foram desaparecendo.

Fonte: http://historia.abril.com.br/

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Eunucos: Ora, bolas! (Parte 1)
30 de Junho/Quarta Feira

por Eliza Muto e Roberto Navarro

Atualmente parece loucura, mas tornar-se eunuco, ou seja, castrar-se parcial ou totalmente, já foi um meio de vida, uma profissão. A tradição de contratar homens castrados nos palácios e haréns vem do mundo antigo, mas atravessou o tempo e o espaço, passou por Roma e Grécia, pelos fenícios do norte da África e chegou à Europa do século 20. Em nenhum lugar, porém, a presença dos eunucos foi mais marcante quanto na China imperial. Um velho ditado diz que lá só havia uma coisa pior do que nascer mulher – era virar eunuco. Pu Yi (1906-1967), o último imperador, registrou em seu diário que espancá-los fazia parte da rotina e que, para espantar o tédio, atirava neles com sua espingarda de chumbinho.

Mas nem sempre foi assim. Os eunucos apareceram por volta de 1050 a.C., durante a dinastia Chou – que, segundo a tradição, teria durado de 1122 a.C. a 255 a.C. –, quando a castração foi incluída nos códigos legais chineses como forma de punição. Além de castrados, os condenados eram obrigados a trabalhar de graça abrindo estradas, construindo pontes e servindo aos nobres. Essa tradição atravessou os séculos e, embora em sua maioria os castrados fossem analfabetos e trabalhassem em serviços braçais, com o tempo passaram a controlar a burocracia, fazendo fortuna e conseguindo prestígio e poder. “Em pelo menos três dinastias, os eunucos governaram de fato a China, tamanha sua influência”, diz o historiador japonês Taisuke Mitamura, da Universidade de Kioto. “Dos nove imperadores que reinaram durante os últimos 100 anos da dinastia Tang (de 618 a 907), sete chegaram ao trono por meio de conspirações de eunucos da corte, e os outros dois foram assassinados por eles, depois de contrariar seus interesses.”

Foi na dinastia Ming, que coincide com o apogeu do poder imperial na China, que a demanda por eunucos cresceu. Os Ming expandiram a grande muralha, estabeleceram um reinado estável e construíram em Pequim o complexo de palácios conhecido como Cidade Proibida, centro de seu império, que estendeu-se ao norte pela Coréia e Mongólia, e ao sul até o atual Vietnã.

Nessa época, as normas do palácio real proibiam a presença de homens não castrados nos aposentos das esposas e concubinas imperiais. Ao escurecer, todos os homens deviam deixar a Cidade Proibida, onde só permaneciam o imperador, suas esposas e concubinas, e os eunucos. Além de pajear o mulherio, eles eram também os serviçais pessoais do imperador, encarregados de banhá-lo, vesti-lo, trazer o penico para que ele pudesse se aliviar, limpar seu traseiro, cozinhar, servir as refeições, transportá-lo no colo ou em palanquins e providenciar-lhe entretenimento. Alguns eram ordenados sacerdotes para atender às necessidades espirituais do harém.

A castração voluntária era uma forma de escapar da miséria e os filhos de camponeses davam-se ao sacrifício em nome da família. Numa campanha de recrutamento de 1540, para 3 mil vagas surgiram 20 mil candidatos. “Mas havia eunucos e eunucos. E, se havia aqueles que desempenhavam funções indesejáveis, como a de carrasco, havia servidores públicos graduados, responsáveis, entre outras coisas, pela coleta de impostos”, diz Mitamura. Jovens de famílias ricas também se interessavam pelo posto, de olho em cargos de prestígio, como administradores, diplomatas e comandantes militares. Chuo Chung Chi, um cronista (e eunuco) que viveu no fim da dinastia Ming, relata que os castrados monopolizavam os projetos de construção por todo o país, incluindo as obras na casa do próprio imperador. Com tanta demanda, o recrutamento atraía multidões. Em um deles, em 1580, foram admitidos 70 mil eunucos. Na época, o harém real tinha 9 mil mulheres e 100 mil castrados trabalhavam lá.

Embora nunca mais o número de eunucos viesse a ser tão grande, eles permanecer na dinastia Ching (1644 a 1911) como funcionários influentes e ricos. “Não há o que fazer na China sem uma autorização ou indicação de nobres eunucos”, escreveu George C. Stent, acadêmico inglês que viveu em Pequim durante o século 19. Stent foi o primeiro a descrever em detalhes os procedimentos cirúrgicos da castração. No livro Essay (“Ensaio”, inédito em português), de 1877, ele conta que a castração era realizada por especialistas “licenciados pelo governo, organizados numa profissão hereditária”. Segundo ele, a cirurgia custava 6 taéis (pouco mais de 80 dólares em valores atuais) e os consultórios ficavam em cabanas nas imediações do portão ocidental da Cidade Proibida.

O castrado era obrigado a andar por duas horas para evitar coágulos e proibido de beber líquidos por três dias, para não urinar. “Os cirurgiões eram tão habilidosos que apenas 5% dos pacientes morriam”, diz o historiador americano Edward Behr, autor do livro O Último Imperador.

Depois de removidos, os genitais eram submetidos a um tratamento para preservá-los em salmoura – como se fossem pepinos em conserva –, eram colocados numa vasilha e devolvidos ao dono, que precisava apresentá-los aos superiores no palácio, comprovando a castração. A vasilha com a genitália podia ser solicitada durante uma inspeção, ou sempre que o funcionário fosse promovido. Esta exigência gerou um mercado paralelo de genitais removidos. Em caso de perda ou furto – não era raro um eunuco roubar e destruir o “precioso” do rival, para impedir o avanço de sua carreira – era preciso substituí-lo, pedindo emprestado a outro eunuco ou recorrendo a cirurgiões inescrupulosos que coletavam genitais extirpados para alugá-los ou vendê-los a preços que podiam chegar a 50 taéis.

Em 1911, a revolução republicana forçou a abdicação de Pu Yi. Embora tenham eliminado as instituições do antigo regime, os novos governantes permitiram que o imperador continuasse vivendo na Cidade Proibida com os eunucos. Em 1949, quando os comunistas tomaram o poder, os castrados viraram símbolo da decadência e foram isolados em asilos. O último eunuco chinês morreu em1996, pouco antes de completar 94 anos de idade, num templo em Pequim, onde vivia.

Fonte: http://historia.abril.com.br

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Aborto: o começo do fim (parte final)
08 de Maio/Sábado

Aborto à luz da Bíblia:

Eu sou um amante da vida. A tal ponto de dia após dia se entregar mais e mais a Jesus pos ele me concedeu o direito de vida eterna mesmo eu não a merecendo. Amo a vida e sei que ela é um dom de Deus e por isto me posiciono totalmente contra ao aborto sendo ele em qualquer situação ou circunstancia. Só Deus tem o direito de dar e tirar a vida.

A bíblia mostra bem claro que antes de seus nascimentos ainda no ventre Deus já havia escolhido Jeremias e Paulo ("Antes do seu nascimento, quando você ainda estava na barriga da sua mãe, eu o escolhi e separei para que você fosse um profeta para as nações”. Jr 1.5; "Porém Deus, na sua graça, me escolheu antes mesmo de eu nascer e me chamou para servi-lo”. Gl 1.15).

João Batista pulou no ventre de sua mãe quando a voz de Maria, a mãe do Senhor, foi ouvida ("Quando ouvi você me cumprimentar, a criança ficou alegre e se mexeu dentro da minha barriga”. Lc 1.44). Obviamente, as crianças já no ventre têm uma identidade espiritual.

Você já fez um aborto? Onde quer que esteja agora, quero que você saiba que o perdão verdadeiro e a paz interior são possíveis, e que uma libertação do passado de grades pode ser experimentada.
Deus é um Deus que perdoa e esquece: "Porém tu [és]... Deus perdoador, clemente e misericordioso, tardio em irar-te, e grande em bondade" (Neemias 9.17b).
"Pois tu, SENHOR, és bom e compassivo; abundante em benignidade para com todos os que te invocam" (Salmo 86.5).
"Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro" (Isaías 43.25).

Se quiser ter nova vida em Cristo, se quer conhecer a Deus, e se você sabe que é amada por Ele, sugerimos a seguinte oração:

Querido Deus, eu confesso o meu pecado. Meu aborto foi coisa errada e eu agora venho à Tua presença em busca de perdão e de purificação. Peço que não apenas me perdoes esse pecado, mas que me perdoes todos os pecados de minha vida. Eu aceito que Jesus Cristo é Deus, que Ele morreu na cruz para pagar a penalidade pelos meus pecados, que ressuscitou ao terceiro dia, e que está vivo hoje. Eu O recebo agora como meu Senhor e Salvador. Eu agora aceito o perdão que Tu providenciaste gratuitamente na cruz e que me prometeste na Bíblia. Torna o teu perdão real para mim. Eu peço isso em nome de Jesus. Amém.

Autor: Rodrigo Almeida
Oração: Site: palavraprudente.com Related Posts with Thumbnails
Aborto: o começo do fim (parte 2)
08 de Maio/Sábado

Pela Pátria:

No fim do século 18, após a Revolução Francesa, passou-se a acreditar que um país poderoso era aquele com muitos habitantes. Cada criança era um futuro soldado, trabalhador, contribuinte. Ser mãe era questão patriótica. O feto foi transformado em entidade autônoma pelas descobertas científicas e, à luz das necessidades políticas, em futuro cidadão, escreveu a jurista Giulia Galeotti, em História do Aborto. Isso se refletiu no Brasil do início do século 20. O papel da mulher é reconsiderado, por sua importância para projetos nacionais, diz Fabíola Rohden, do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Luiz Lima Vailati, doutor em História Social pela Universidade de São Paulo e professor da Fundação Armando Alvares Penteado, diz que, apesar da força da Igreja, o aborto sempre foi praticado. Sua prática cresceu inclusive no Brasil, mesmo no século 19, quando Estado e Igreja enfatizam a proteção do feto e aumentam a repressão ao procedimento. Na Inglaterra, famílias mais pobres recorriam a ele, e depois a classe média, para garantir um padrão de vida economicamente seguro.

A Itália fascista reprimiu o controle de natalidade a partir de 1926. Os nazistas estimularam a reprodução da "raça pura", enquanto tentavam impedir nascimentos entre os povos dominados. Em 1942, no gueto de Kovno, na Lituânia, um decreto condenou à morte todas as judias grávidas. O rabino Ephraim Oshry permitiu o aborto. Os judeus não aceitavam, mas o rabino podia autorizá-lo em casos extremos. Em 1936, 16 anos após a revolução bolchevique legalizá-la, a União Soviética de Stálin voltou a proibir a prática. Em 1943, na França, a parteira Marie-Louise Giraud foi guilhotinada por ter interrompido 26 gestações: o aborto era ameaça ao Estado.

As décadas seguintes à Segunda Guerra foram de revolução sexual, graças à pílula anticoncepcional. O feminismo, surgido no século 19, ganhou força. Nos anos 60, a prática virou bandeira do direito civil e muitos países o legalizaram. Os novos ventos sopraram até no Vaticano, e uma comissão convocada pelo papa João XXIII aprovou a pílula, que, no entanto, continuou proibida pela encíclica Humanae Vitae, de 1968. O interessante, diz Vailati, é que, a partir dos anos 60, Igreja e médicos substituíram argumentos religiosos por científicos.

No fim do século 20, o controle político do aborto evidenciou-se. Nos Estados Unidos, onde a lei varia entre os estados, as clínicas de aborto têm vidro blindado. Após a revolução de 1979, o aiatolá Khomeini proibiu a prática em qualquer situação no Irã (no Islã, é aceito até o quarto mês ou para salvar a mãe). A diferença entre o início da vida para alemães orientais e ocidentais obrigou a criação de uma lei sobre o aborto, para a unificação dos países, em 1990. Na China, que proíbe mais de um filho, a interrupção da gravidez é quase obrigatória.

Não creio que a discussão vá cessar, diz Giulia Galeotti. Mesmo o Juramento de Hipócrates ainda gera discussões: os favoráveis à prática atribuem sua condenação ao fato de o aborto, na época, oferecer mais riscos que o parto. Um debate interminável, como devia prever São Jerônimo (342-420). O homem que converteu ricas matronas romanas ao cristianismo não conseguiu deixá-las contra o aborto. Chocou-se ao ouvir delas: Todas as coisas são castas para os castos. A aprovação da minha consciência basta-me.

Fonte: http://historia.abril.com.br/ Related Posts with Thumbnails
Aborto: o começo do fim (parte 1)
07 de Maio/Sexta Feira

Religiosos, políticos e médicos debateram, condenaram ou defenderam o aborto ao longo dos séculos. Uma prática que nem os maiores tiranos nem os papas mais influentes conseguiram banir


Os livros que compõem a Política, de Aristóteles (384–322 a.C.), um dos pilares da filosofia ocidental, discutem assuntos diversos: sociedade, educação, tipos de governo e interesses coletivos, como o crescimento excessivo da população. Sobre isso, o filósofo grego escreveu que "se deve fixar o número máximo de procriações e, se alguns casais forem férteis para além do limite, é necessário recorrer ao aborto". Décadas antes, Hipócrates (460–377 a.C.), preocupado com o risco de morte das mulheres, no célebre Juramento (declarado até hoje por médicos formandos), disse: Nunca sugerirei a nenhuma mulher prescrições que a possam fazer abortar. Em Roma, o poeta Ovídio (43 a.C17 d.C.) carregava com tintas morais suas obras que tratavam do assunto: Se Vênus, grávida, tivesse maltratado Enéias no útero, a terra teria ficado sem os Césares. Enquanto a questão era discutida, as pessoas não esperavam a conclusão que até hoje não veio. Abortavam e seguiam com a vida.

Plínio, o Velho (23–79 d.C), que julgava o aborto um desvio feminino que torna o ser humano inferior às bestas, listou em A História Natural diversas plantas abortivas. Por exemplo, o poejo, popular ainda em 1993. Chá de poejo, ou Pennyroyal Tea, é o título de uma música do Nirvana que fala de aborto. Desde a Pré-História, o homem tenta controlar o nascimento, mas o modo como encaramos o aborto mudou bastante ao longo dos séculos. Não era punido pela lei na sociedade grega, mas foi muito discutido por filósofos como peça-chave da pergunta que não quer calar há mais de 2 mil anos: quando começa a vida?

Naquela época, a gravidez só era confirmada ao primeiro movimento do bebê no útero. Aristóteles dizia que o aborto para fins de controle populacional deveria ser realizado antes do surgimento da alma, e que era necessário para evitar o abandono de crianças, corriqueiro na Grécia.

Abandonar, vender ou matar filhos inesperados era a solução para controlar o tamanho da família romana. Sorano de Éfeso, no século 2, defendia o aborto em caso de perigo à saúde da mãe, mas apenas prostitutas e mulheres livres do poder masculino eram independentes para abortar. Interromper a gravidez sem o consentimento do marido e privá-lo de um herdeiro era motivo de separação ou até de pena capital (depois do parto, para salvar o bebê). Os homens se opunham ao aborto porque ele feria o interesse masculino. No século 2, foi criminalizado, punido com o exílio.

O cristianismo, na Idade Média, mudou alguns aspectos na vida, mas não todos. "As insistentes condenações do aborto e da contracepção por parte do clero podem indicar a continuação dessas práticas", escreveu o historiador canadense Angus McLaren, em História da Contracepção. A Igreja fez do sexo um símbolo de moralidade. Mas Santo Agostinho (354-430) não considerava o aborto um assassinato, e sim uma perversão. Ele sustentava o pensamento aristotélico do início da vida no 40º dia a partir do primeiro sinal perceptível do bebê, no caso de meninos, e no 80º, nas meninas.

Esse conceito só seria derrubado no século 19. A influência da Igreja acaba provocando mudança de foco: não mais o homem e sim o feto devia ser protegido. No século 13, leis canônicas e civis fortaleceram a distinção entre feto com alma e sem alma, entre um homicídio e um crime menor. Mas, nesse debate entre Igreja e legisladores reais sobre o início da vida, faltava a ciência. A descoberta do óvulo, em 1827, transformou a idéia da concepção: agora, a vida começava na fecundação. Ao longo da Idade Moderna, aprendeu-se mais sobre a evolução do feto no útero. Essa percepção, ampliada com a obstetrícia, o estetoscópio, o raio X e o ultra-som, nos 300 anos seguintes, mudou o modo de médicos, políticos e religiosos lidarem com o tema. Mas as mulheres ainda tomavam medicamentos por conta própria e recorriam a parteiras.

Fonte: http://historia.abril.com.br Related Posts with Thumbnails
O Patriarca da Fé (Parte Final)
13 de Abril/Terça Feira

Vida na estrada


1. Sanliurfa

O Gênesis diz que o patriarca nasceu em Ur dos Caldeus. Por muito tempo, acreditou-se que era a cidade de Ur, que hoje fica no Iraque. Atualmente, considera-se que o texto faz referência a Sanliurfa.

A cidade do sul da Turquia tem 500 mil moradores e é um centro de peregrinação de fiéis em busca de locais considerados sagrados, como uma caverna onde Abraão teria nascido.


2. Harã

É o local onde Javé teria falado a Abraão pela primeira vez. Escavações no local indicam que Terá, o nome de seu pai, seria, na verdade, um clã poderoso na região.

Hoje é um vilarejo de 500 pessoas na Turquia. De acordo com a tradição, uma casa localizada em uma colina nos arredores teria abrigado a família do patriarca.


3. Sechen

Uma das mais antigas cidades do Oriente Médio. Ali, Abraão ergueu um altar para Javé.

Atual Nablus, na Cisjordânia, tem 130 mil habitantes e está sob o controle da Autoridade Nacional Palestina. Ali fica a suposta tumba de José, bisneto de Abraão.


4. Hebron

Abraão passou longas temporadas nessa região. Foi ali que ele e Sara foram enterrados.

A cidade da Cisjordânia é marcada pela tensão permanente entre israelenses e palestinos. Um grupo de cerca de 500 judeus vive ao lado de 160 mil árabes.


5. Tanis

O local mais provável onde Abraão teria vivido no Egito, até ser expulso pelo faraó.

Centro administrativo em 1200 a.C., hoje é um conjunto de ruínas que forma um dos sítios arqueológicos mais importantes do país.


6. Beersheba

Local onde nasceu Isaac e onde ele teria sido circuncidado. Aqui, também, Javé teria ordenado ao pastor que sacrificasse o filho.

A cidade mais importante do deserto de Negev, ao sul de Israel, concentra imigrantes etíopes e russos.


7. Jerusalém

Para os judeus, foi sobre o monte Moriá que Abraão teria oferecido Isaac em sacrifício.

Tanto o monte quanto a rocha do sacrifício estão dentro da mesquita de Omar, em Jesusalém, Israel.

Super-homem


Relatos concedem sabedoria infinita ao patriarca

• Intérpretes do Livro dos Jubileus dizem que Abraão dominava a astronomia e a ensinou aos fenícios, que passaram a usá-la para controlar o mar Mediterrâneo.

• De acordo com a tradição oral repetida por várias gerações, o patriarca também teria transmitido aos egípcios seus profundos conhecimentos de matemática.

• Outra área que ele dominaria seria a filosofia. Abraão teria repassado conceitos avançados aos egípcios, que por sua vez os teriam encaminhado aos filósofos gregos.

Um sobrinho problemático

Terá tinha três filhos: Nahor, Haran e Abraão. Depois que Haran morreu, seu filho, Ló, passou a acompanhar o tio caçula. Quando a família voltava do Egito, os dois se desentenderam e o sobrinho ficou com as melhores terras. Até que uma federação de reinos vinda da Mesopotâmia, liderada pelo rei Chedorlaomer, ocupou a região. Doze anos depois, os moradores do local se rebelaram. O movimento foi contido e Ló, feito refém. Abraão reuniu seus homens e o resgatou. Mas o sobrinho ainda se envolveria em mais confusão. Ele se instalou em Sodoma, onde foi visitado por três anjos. Os habitantes da cidade tentaram invadir a casa e foram contidos pelos seres celestiais. Ló fugiu com a família enquanto Javé lançava uma chuva de fogo e enxofre sobre Sodoma e a vizinha Gomorra. O grupo havia sido orientado pelos anjos a não olhar para trás. Mas a mulher de Ló desobedeceu e foi transformada em estátua de sal.

Fonte: Aventuras na História Related Posts with Thumbnails
O Patriarca da Fé (parte 3)
12 de Abril/Segunda Feira

Duas nações

Segundo as escrituras, a fé e a obediência inabaláveis fizeram Abraão especial. "Para judeus, cristãos e muçulmanos, a fé é definida como a confiança incondicional em Deus. Nesse sentido, para as três religiões, Abraão é o modelo e a própria definição da fé. Essa característica faz dele o patriarca das três religiões que se originam de dois grandes povos", afirma Karl-Josef Kuschel. Segundo a tradição, Isaac deu início aos hebreus, e entre seus descendentes diretos estão o profeta Moisés, os reis Davi e Salomão e... Jesus Cristo. No Evangelho de Lucas, Maria, a mãe de Jesus, canta ao Senhor que "falou a nossos pais, a Abraão e a seus descendentes para sempre". Diz Kuschel: "Nos relatos dos Evangelhos, Jesus se posiciona como legítimo descendente da tradição de Abraão. Seus primeiros seguidores, em especial São Paulo, o chamam de pai. Depois, no século 4, ele é finalmente incorporado à teologia cristã por Santo Agostinho."

Já a origem dos árabes está ligada a Ismael. No século 7, um de seus descendentes diretos é chamado pelo anjo Gabriel (ou Jibril) para ouvir a recitação da mensagem de Alá. Durante 23 anos, o mercador Muhammad ibn Abdallah, ou Maomé, recebe e transmite para seus seguidores o Alcorão, que seria compilado nos anos seguintes à sua morte, em 632. Nas 114 suratas (capítulos) da versão final da obra, Abraão, ou Ibrahim, é mencionado 25 vezes. "O Alcorão acrescenta informações sobre ele, difundidas pela tradição oral judaica, e reinterpreta alguns aspectos de sua vida, em especial o papel de Ismael", diz John Vol, especialista em islamismo da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos.

Para entender as histórias do texto sagrado muçulmano, é preciso retomar o contexto em que surgiram os hebreus. Depois que o Gênesis foi compilado, vários outros relatos orais surgiram para preencher as lacunas da vida de Abraão, em especial sua infância. Todos descrevem o patriarca como um monoteísta convicto, que luta contra a tradição politeísta de seu pai, Terá. Um desses relatos conta que a família tinha uma loja com várias estátuas de diferentes deuses. Certa vez, Abraão usa um machado para quebrar todas, exceto a maior. Chocado, o pai pergunta por que ele fez isso. O rapaz diz que os próprios deuses se destruíram lutando entre si, e que o vencedor foi o único que permaneceu intacto. Quando Terá afirma que as estátuas não seriam capazes de se mover, ele contra-argumenta: "Se esses deuses não são vivos, não faz sentido adorá-los".

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O Patriarca da Fé (parte 2)
09 de Abril/Sexta Feira

Ismael e Isaac

Um período de seca faz o grupo seguir para o norte do Egito. Ali, com medo de ser morto para que Sarai seja forçada a se casar novamente, ele pede que a esposa se passe por sua irmã solteira. Ela acaba incorporada ao harém do faraó, mas Javé lança pragas sobre o Egito como punição. O monarca descobre a origem do problema, devolve a mulher ao pastor e expulsa a família do país.

Abrão segue uma vida seminômade, marcada pelo comércio, pela eterna busca por melhores terras e pelo conflito militar contra os reis que sequestram Ló . Enquanto isso, Javé repete suas promessas. Para selar um pacto com este único Deus, o pastor chega a sacrificar uma cabra, um bezerro e um carneiro. Mas o filho desejado não vem.

Cansada de esperar, Sarai diz a Abrão que tenha seu herdeiro com Agar, uma escrava egípcia do clã. Ele obedece e a mulher dá à luz Ismael. Quando o pastor completa 99 anos, Deus volta a se comunicar. Ordena que o casal mude os nomes para Abraão e Sara e orienta o patriarca a fazer a circuncisão em si e em todo o clã - incluindo Ismael, que já tem 13 anos.

Tempos depois, três anjos aparecem para o casal. Mesmo sem saber quem são, Abraão os recebe com hospitalidade. Quando se identificam, voltam a lhe prometer um filho. Escondida, Sara ouve a conversa e ri de descrença. Mas eis que, enfim, engravida e tem Isaac. Para garantir a herança ao garoto, ela convence o marido a expulsar Agar e Ismael.

Abraão agora tem descendentes, mas Javé decide que ele precisa passar por um último teste de fé. De acordo com o Gênesis, diz ao patriarca: "Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaac, a quem amas, e vai à terra de Moriá; e o oferece ali em holocausto sobre uma das montanhas". Mais uma vez obediente, ele forma uma comitiva com Isaac e dois empregados e caminha por três dias. Ao chegar perto do monte indicado por Deus, afasta-se com o filho. O rapaz, então, pergunta ao pai onde está o animal a ser sacrificado. A resposta é enigmática: "Javé proverá". Numa pedra no alto do morro, ele o amarra e coloca sobre uma pilha de lenha. Quando empunha o cutelo contra Issac, um anjo aparece e o contém. "Abraão! Não estendas a tua mão sobre o moço e não lhe faças nada; agora sei que temes a Deus e não negaste o teu filho".

Com esse gesto de fé absoluta, o patriarca conquista em definitivo o status para fundar as novas nações. Nas décadas seguintes, ele começa a preparar o futuro de sua descendência. Negocia o casamento de Isaac com a prima Rebeca e acompanha o crescimento de seus netos, Esaú e Jacó. Sara morre com 127 anos, e o viúvo ainda tem tempo de se casar de novo. Ele se une a Quetura, com quem tem outros seis filhos: Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Isbaque e Suá. Nenhum deles tem direito ao espólio do pai. Ao morrer, Abraão tem 175 anos e é um líder tribal respeitado. O pastor é enterrado ao lado de Sara pelos filhos Isaac (que já tem 76 anos) e Ismael (de 89).

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O Patriarca da Fé (parte 1)
09 de Abril/Sexta Feira

Há 4 mil anos, um homem fundou as bases das três grandes religiões monoteístas do mundo: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Ao aderir a um único Deus, Abraão tornou-se o pai simbólico de 3,5 bilhões de fiéis
por Tiago Cordeiro



Das 6,8 bilhões de pessoas que habitam o planeta, cerca de 2 bilhões são cristãos. Aproximadamente 1,5 bilhão são muçulmanos e 15 milhões seguem os preceitos do judaísmo. Juntas, as denominações compõem a metade da população mundial. São também o pano de fundo de conflitos sangrentos há vários séculos. Para citar apenas dois: as cruzadas e os atentados de 11 de setembro de 2001. De certa forma, são brigas de família. As três grandes religiões monoteístas têm o mesmo pai. Um homem que vagou pelo Oriente Médio e pelo norte do Egito há 4 mil anos. Que optou por seguir um só Deus e cujos dois primeiros filhos fundaram dois povos: os hebreus e os árabes. Seu nome é Abraão. Sua descendência moldou o Ocidente e foi determinante para forjar o mundo tal qual o conhecemos.

O primeiro relato sobre ele está no Gênesis, que inicia a Torá judaica e a Bíblia cristã. Intérpretes do texto consideram que o patriarca era um pastor seminômade que viveu entre 2100 e 1800 a.C. Tribos costumavam circular entre as principais cidades da Mesopotâmia para vender o couro, o leite e a carne de seus rebanhos.

Não há provas da existência de Abraão. Várias gerações de arqueólogos reviraram, sem sucesso, as terras do Egito ao Irã. "A arqueologia não encontrou sinais dele nem de qualquer pessoa relacionada ao patriarca", afirma o americano Ron Hendel, professor de Estudos Judaicos da Universidade da Califórnia. A esta altura, isso pouco importa.

"A verdade desse relato não está em sua historicidade, mas no impacto sobre o judaísmo, o cristianismo e o islamismo", diz Karl-Josef Kuschel, professor de Teologia da Universidade de Tübingen, na Alemanha.

O Gênesis é uma edição das narrativas orais do povo hebreu, compiladas entre os séculos 7 a.C. e 5 a.C. "Os patriarcas representam os heróis do povo. Provavelmente são uma junção de diversas pessoas reais, reunidas em uma única personalidade a fim de criar um relato das origens dos hebreus", afirma o arqueólogo Israel Finkelstein, professor da Universidade de Tel Aviv. Apesar dos 1 500 anos que separam a autoria do texto dos tempos de Abraão, vários detalhes sobre o cotidiano da época são exatos - como o hábito de usar escravas para gerar descendentes, em caso de infertilidade da esposa.

Abraão ocupa 14 capítulos do texto. Quando sua história começa, ele já tem idade avançada. "A maioria dos personagens importantes da Bíblia é apresentada como criança. Jacó e Esaú brigam no ventre da mãe. Moisés é encontrado em um cesto no rio Nilo. Davi luta contra Golias. O patriarca tem 75 anos antes que qualquer coisa aconteça com ele", diz o escritor Bruce Feiler no livro Abraão - Uma Jornada ao Coração de Três Religiões. No primeiro capítulo do Genêsis a seu respeito, ele se chama Abrão, filho de Terá, casado com sua meia-irmã Sarai, dez anos mais nova. "Ele é a personificação do vazio: não tem infância nem descendentes", afirma Feiler. Um detalhe o diferencia: o pastor é a décima geração depois de Noé e a vigésima após Adão e Eva.

Pouco antes de morrer, Terá deixa a cidade natal de Abrão, que a escritura chama de Ur dos Caldeus, e se muda com a família para os arredores de Harã . Depois que Terá morre, com 205 anos (isso mesmo, os personagens da narrativa são extraordinariamente longevos), Deus determina novo rumo para a vida do pastor. O patriarca, que agora é responsável pelos negócios da família, ouve a voz de Javé, que promete: "Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei. Eu farei de ti um grande povo, eu te abençoarei, engrandecerei teu nome. Sê tu uma bênção". E Abrão se muda para Canaã com a esposa e o sobrinho, Ló.


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Pascoa? Ovos de Pascoa? Verdades e mentiras.
05 de Abril/Segunda Feira

Quando você pensa em chocolate, bacalhau e coelho que comemoração te vem à mente? Com certeza você se lembrou da Páscoa. Conhecida mundialmente como uma festa cristã, ela é mais antiga do que se imagina, sendo comemorada muitos anos antes do nascimento de Jesus Cristo e por diversos povos da antiguidade.

A Páscoa, como conhecemos hoje (com ovos de chocolate, alusão ao coelho, etc) modelou-se com o passar dos anos, mas tem como principal influência a Páscoa Judaica. Antes de Jesus morrer na cruz e ressuscitar era este o tipo de Páscoa comemorada. Portanto, Páscoa cristã e judaica são diferentes, mas é a partir da festa judaica que os cristãos comemoram a ressurreição do Salvador.

Para os judeus a páscoa significa “passagem”, por isso o nome da festa é Pessach (passagem). De acordo com a tradição judaica, a primeira celebração de Pessach ocorreu há 3500 anos, quando o Senhor enviou dez pragas sobre o povo do Egito. Antes da décima praga, – que seria a morte dos primogênitos das famílias egípcias - Moisés foi instruído por Deus a pedir que cada família hebréia sacrificasse um cordeiro e molhasse os umbrais (mezuzót) das portas, para que seus primogênitos não fossem exterminados.

Quando anoiteceu as famílias comeram a carne de um cordeiro sem mancha, pães sem fermento e ervas amargas. Depois um anjo, enviado por Deus, matou todos os primogênitos egipícios. Depois deste episódio Faraó libertou os hebreus da escravidão. Como memória desta libertação foi instituído para todas as gerações de judeus a celebração da festa de Pessach, como forma de lembrar o favor de Deus.

Pessach, então, significa a passagem do Senhor através de seu mensageiro, o anjo. Depois foi acrescentado a esta concepção a passagem dos hebreus pelo Mar Vermelho, confirmando a sua libertação. Os judeus comemoram até hoje os valores que a história narrada no livro de Êxodo: liberdade, justiça e reinício do ciclo da vida.

Para os cristãos a Páscoa tem um significado semelhante, é a comemoração da passagem de Jesus da morte à ressurreição. Os primeiros cristãos passaram a comemorar a Páscoa, como conhecemos hoje, porque viram uma relação entre a libertação do povo de Deus no Egito e a libertação da morte para a vida, pregada por Jesus.

Outro motivo para que a grande festa cristã tenha o mesmo nome da festa judaica deve-se à Paixão de Cristo ter acontecido no início do Pessach. Então a última ceia teria sido um Seder, o jantar realizado na véspera do início da Páscoa judaica.

Embora as duas festas tenham o mesmo nome não ocorrem na mesma data. A Páscoa cristã é comemorada no primeiro domingo de lua cheia depois do equinócio de primavera (de outono, no hemisfério sul). Já as comemorações da Páscoa judaica têm início na primeira lua cheia do mesmo equinócio. O início do Pessach e a Páscoa cristã podem cair no mesmo dia, mas isso dificilmente ocorre.

A Páscoa de outros povos

Vários povos da antiguidade comemoravam uma espécie de Páscoa. Porém normalmente eram festas pagãs em homenagem aos seus deuses ou a comemoração da chegada da primavera. Atualmente a Páscoa cristã é a mais comemorada.

Em março de 250 a.C, em Roma, era celebrada uma festa religiosa, em que o protagonista era um ser meio homem, meio deus, filho de uma virgem e que ressuscitava todo ano. Essa festa era uma homenagem à deusa Réia ou Cibele e ao Attis, a pessoa que ressuscitava. Para o povo egípcio era uma festa para o deus Osíris, que também ressuscitava.

A partir do século IX, com a conversão do povo germânico ao cristianismo, alguns símbolos das festividades pagãs foram incorporadas na festa cristã. Este é o caso do coelho, que era a representação da deusa da primavera entre os povos bárbaros. Ainda hoje, Páscoa é chamada Ostern em alemão e Easter em inglês – derivações do nome da deusa Eostre.

Essa relação do coelho com a fertilidade foi mal interpretada por ingleses até meados do século XX. Durante a festa fazia-se brincadeiras eróticas, como levantar uma mulher três vezes para ganhar um beijo.

A tradição dos ovos de páscoa

Na maioria dos povos, desde as mais remotas épocas, o ovo é símbolo de nascimento e ressurreição. Diz a lenda que Simão, o cirineu que ajudou Jesus a carregar a cruz ao Calvário, era vendedor de ovos. Ao voltar para casa, depois da crucificação, percebeu que os ovos estavam todos milagrosamente coloridos feito um arco-íris. Já o coelho era o símbolo da fertilidade no Antigo Egito. Não foi difícil, portanto, escolher para a Páscoa um símbolo que fosse popular e facilmente reconhecível. Assim, o coelho esconde ovos coloridos em ninhos, para que as crianças possam procurá-los, como presente de Páscoa.

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